Análise

Pulgas pra que te quero

03 de Maio de 2014 - 10h15 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Taciane Corrêa

Que alegria saber que futuramente estaremos infestados de pulgas

A Feira da Princesa tende a crescer, terá uma cara própria, uma identidade

Teremos um Mercado de Pulgas, no largo do Mercado Central

Seremos invadidos de mais história, mais cultura, mais antiguidade, mais sensações

Nossos sábados ficarão mais coloridos, mais cheirosos, mais saborosos, mais vivos

Já é possível imaginar que estaremos mais próximos da Feira de San Telmo, em Buenos Aires

Ou do imaginário mítico da Feira de Tristán Narvaja, em Montevidéu

Ou até mesmo do clássico Marché aux puces, do norte de Paris

O largo do Mercado vai retratar o requinte da opulência pelotense

Em cada peça exposta, a possibilidade de flanar pelo mundo

Em cada quinquilharia, um universo a descobrir

As louças portuguesas tomarão as ruas

Os lustres, aparelhos de chá e de jantar vão estar nas esquinas

As pratarias, os cristais e as porcelanas virarão pontos turísticos

Cada detalhe representa um mergulho no passado,

Uma variedade de objetos que nos permite uma consciência amena da passagem poética da vida

Uma possibilidade de nos relacionarmos com a temporalidade dos seres humanos

É o verdadeiro exercício de imaginação quando penetramos naquela peça para ver o tempo histórico em que ela aconteceu

Enquanto aguardamos a oficialização do nosso Mercado de Pulgas, aproveite os antiquários da cidade

Entregue-se às pequenas e raras relíquias de época já perecidas e que nos fazem evocar as circunstâncias históricas em que foram produzidas e a sua função na existência cotidiana de nossos antepassados

Há todo um mundo de recordações e de imagens que renascem diante de nossos olhos

É o estabelecimento de uma ponte, de um universo aparentemente extinto, mas que, sob o efeito de nosso olhar curioso, renasce em todo o seu esplendor.


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