Ponto de Vista

Prosperidade em grãos

06 de Maio de 2014 - 08h21 0 comentário(s) Corrigir A + A -

por Afonso Motta, advogado e produtor rural

Por estimativa da Emater, o Estado do Rio Grande do Sul deverá colher a safra recorde de mais de 30 milhões de toneladas de grãos. Depois da supersafra do ano passado, o novo resultado é histórico, puxado especialmente pela produção de soja que é responsável por quase a metade do volume de grãos colhidos no nosso Estado. As mesmas fontes revelam que ocorreu um incremento de 250 mil hectares na área plantada, especialmente em campos da Metade Sul, que motivados pelos bons preços estão substituindo a pecuária pela cultura da soja.

Este excelente desempenho resultou das favoráveis condições climáticas, mas é inegável que a tecnologia e uma política pública adequada, com crédito e incentivos abundantes, também têm sido determinantes. Assim, o campo manda para as cidades não só a superprodução histórica de grãos, além do benefício de mais renda a quem produz, o dinheiro circulante que deverá sair das lavouras e alcançar a indústria, o comércio e os serviços, num ciclo perfeito de trabalho e capital agregado. A produção deverá representar mais de R$ 20 bilhões que com a agregação de valor poderá ser multiplicado por pelo menos quatro vezes. Toda esta projeção otimista deverá representar 30% do PIB gaúcho, ou seja, parcela substancial de toda a atividade econômica desenvolvida no Estado.

É bem verdade que depois da porteira o escoamento da produção depende da logística, aquele conhecido prejuízo com as estradas que, segundo a Agenda 2020, engole 19,46% do nosso PIB. Esta supersafra define perfeitamente por que a atividade vocacionada do Rio Grande do Sul tem tanta importância. É muito mais do que ganho por quem produz. É oportunidade de emprego e consolidação de toda uma cadeia produtiva. Tudo vem conspirando a favor deste momento excepcional da agricultura gaúcha e brasileira, mas não podemos perder a compreensão das referências que em qualquer mercado determinam a formação dos preços, nem tampouco as políticas internacionais protetivas dos países de maior poderio econômico, que de tempos em tempos colocam barreiras aos países produtores e promissores como o Brasil.

Além do campo, das estradas e do aquecimento do mercado, é preciso entender que as questões mais atuais não estão apenas na política pública de renda para o produtor, mas no debate urgente sobre o uso adequado de terra, florestas e águas, a burocracia ambiental e os limites ao exercício pleno do direito de propriedade. Não são mais questões classistas, são temas de interesse de toda a sociedade. Daqui a bem pouco todos estaremos a perguntar qual é a verdadeira função social da propriedade. É para este novo debate que o setor produtivo deve estar preparado.


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