Editorial

Preservação ambiental é, sobretudo, pauta brasileira

21 de Abril de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Jair Bolsonaro desembarca nesta quinta na Cúpula dos Líderes sobre o Clima para mais uma discussão, junto a representantes de 40 países, de medidas que contribuam para evitar o agravamento do já preocupante cenário mundial de mudanças climáticas. Embora há poucos dias presidente tenha enviado carta ao seu par norte-americano, Joe Biden, anfitrião do evento, apontando compromissos de acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e reduzir a emissão de gases, aos olhos da comunidade internacional a gestão ambiental brasileira é vista com grande desconfiança. O que, obviamente, é extremamente negativo para um país em crise e que busca se recolocar no cenário mundial como um jogador importante na economia e na geopolítica.

Dizer que a descrença mundial em compromissos do Brasil com a preservação ambiental é exagerada seria injusto. Afinal de contas, o país acumula notícias negativas nesta área nos último anos. Algumas, a saber: 222,8 mil focos de incêndios florestais só em 2020 segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); avanço do desmatamento da Amazônia, inclusive com março de 2021 sendo o pior em dez anos; e derrubadas massivas de árvores, inclusive com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sendo acusado de atuar em favor de madeireiros ao invés de proteger florestas. Ou seja, diante do mundo, somos uma nação pouco ou nada preocupada em cuidar dos recursos naturais.

Em uma atmosfera global em que os consumidores estão cada vez mais atentos à sustentabilidade e pressionam empresas e governos a dar atenção a isso, é natural que as relações entre nações sejam influenciadas. Embora em alguns casos os avanços pareçam mais retórica do que prática, é inegável que surge em vantagem nas mesas de diálogo e negócios globais quem se movimenta em direção a matrizes energéticas limpas, manutenção de recursos naturais e proteção a povos e culturas nativas.

Contudo, tratar a questão apenas como um assunto comercial ou de relações internacionais é reduzi-la a muito menos do que realmente é. Conservar o meio ambiente é, antes de qualquer coisa, item essencial para o próprio Brasil. Qualquer que seja o efeito negativo da poluição do ar ou das águas, da destruição de florestas, da extinção de plantas ou animais, da exploração desordenada, ele se dará primeiramente sobre a população brasileira. Seremos nós - ao menos inicialmente - mais os afetados pela escassez dos recursos naturais. Logo, abrir os olhos para a necessidade urgente de rever a política ambiental, sem "passar a boiada", deve ser pauta prioritária de qualquer governo preocupado com o país. Não importa a orientação ideológica, não importa se é de direita, centro ou esquerda. Está acima de qualquer cobrança mundial.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados