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Preclaros reitores, responsabilidade social em vez de conversa fiada

18 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nery Porto Fabres, professor

Estava à janela de um prédio comercial aqui em Rio Grande e observava a lagoa dos Patos e o ir e vir de embarcações de pesca e de transporte de pessoas para São José do Norte. Cheguei a comparar o cenário com Portugal e Espanha. A geografia de nossa terra, que amo desde guri, é maravilhosa. Em minha cabeça velha surgiam aquelas ideias mansas de se aproveitar essas águas calmas para passeios e transportes de turistas para conhecer as ilhas dos marinheiros, Torotama e da Pólvora (museu). Velho faz isso, tem tempo de ser pensativo, idealista e sonhador. O estranho é justamente os velhos terem tempo para pensar, porque quando se atinge essa idade avançada se faz de tudo um pouco, se aventura em várias profissões, e o tempo torna-se algo precioso para o idoso.

Já os jovens estão, em maioria, dedicando-se apenas a uma profissão, a de estudante. E há de se dizer que essa maioria vai mal nos estudos, e pensar não é o forte deles. Então, o tempo fica na mão dos velhos que, por ironia, têm a morte os espreitando diariamente. Nesse escritório comercial que tem a visão deslumbrante da Lagoa dos Patos há um outro ancião como eu, que atende na área jurídica. Mas ele também atua como corretor de imóveis, despachante financeiro e investidor no ramo imobiliário. Compra e vende cavalos de raça e é professor universitário.

E sobre a maioria dos jovens, estes não sabem atuar em nenhuma frente de trabalho, o tempo é utilizado para diversão noturna em festas movidas a álcool e drogas de todas as fontes desconhecidas. Quando sobra tempo, eles gastam na cama ou em redes sociais trancados em seus quartos os quais são abastecidos por seus pais ou por programas de governo.

Ora, a dúvida que tenho sobre o aproveitamento dessa geografia fantástica de Rio Grande tem tudo a ver com esses hábitos e costumes desta nova geração. Porquanto os velhos são hiperativos no campo profissional, por outro lado, os jovens são descuidados com o tempo e não se profissionalizam para entrar no mercado de trabalho. Para a maioria deles (e o que conta para as estatísticas é a maioria) um curso superior é apenas uma forma de serem sustentados por seus pais ou, como foi dito anteriormente, pelos tributos que o povo paga ao governo.

E aí é que está o ponto-chave do problema. Os velhos não investem na área de turismo, de transporte de passageiros na lagoa, ou esportes náuticos por estarem com um pé na cova e esses projetos aquáticos precisariam de estruturas que levariam muito tempo para serem construídas e gerar retorno. Já os novos não o fazem por pura incapacidade, falta de competência e por quererem viver o hoje sem pensar no futuro.

O que cumpre, neste momento, é definir responsabilidades, partidárias, políticas e administrativas. É chamar os partidos governamentais à compreensão de uma realidade que eles, até agora, fingem ignorar. Essa realidade é a de que o Brasil não pode ser administrado, nem é possível realizar nenhum programa sério de governo, com os orçamentos que aí estão. Decerto, as políticas públicas não podem exceder o Erário e tampouco realizar gastos contando com a vã filosofia da expectativa de receita futura. Deve sim, este governo, obrigar os estudantes a trabalharem nas universidades, mesmo que apenas meio turno para pagar os seus gastos nessas instituições. Desse modo, com a responsabilidade do trabalho, poderiam aqueles que estudam na Furg pensar em aplicar o conhecimento e a experiência profissional em nossa linda Lagoa dos Patos. E esse movimento haveria de proporcionar hábitos e costumes mais saudáveis para seus filhos, e incentivaria os velhos a desembolsar os custos de seus projetos.


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