Editorial

Poucos com muito, muitos com pouco

17 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A diferença entre o aumento real (8,4%) da faixa de 1% dos brasileiros mais ricos - no rendimento médio mensal em 2018 - e dos 5% mais pobres (queda de 3,2%), divulgada ontem pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) Rendimento de Todas as Fontes 2018/IBGE, ratifica o resultado de um estudo divulgado ano passado, que colocou o Brasil entre as cinco nações onde a parcela mais rica recebe mais de 15% da renda nacional.

Segundo a pesquisa do IBGE, se o grupo for ampliado para os 30% mais pobres, em todos houve perdas de rendimento. "Todo mundo perdeu um pouco", declarou a gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira. Muito pela redução de empregos na indústria, na construção civil, nos setores de informação, telecomunicação, serviços financeiros e administrativos.

No estudo divulgado em 2018, os autores já alertavam a preocupação com a desigualdade de renda no Brasil, muito acima dos padrões internacionais.

E como mudar esse cenário? Segundo os pesquisadores, "o Brasil só atingirá níveis moderados de desigualdade, como os da Europa, se a concentração de renda no topo diminuir dramaticamente". Para tanto, terá de oferecer políticas que promovam tanto o rápido crescimento da renda dos mais pobres quanto a redistribuição (da renda) do topo.

O país busca fórmulas para se desenvolver, mas adota medidas que custam caro principalmente a quem está na base da pirâmide, sempre os mais impactados nos momentos de crise e aqueles que enfrentam mais dificuldade para superar adversidades socioeconômicas. E crescer a qualquer custo tem seu preço. Que o digam os desempregados, os informais, os assalariados e os que acordam todos os dias literalmente para sobreviver.


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