Análise

População e Desenvolvimento - Desafios da nossa microrregião

27 de Junho de 2014 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sylvio Motta, economista (Itepa/Ucpel) (Sylvio.motta@hotmail.com)

Pelos dados disponíveis, em 12 anos (de 2001 a 2012) a população da nossa microrregião - compreendidos os 23 municípios que a compõem -, aumentou exatos 17.444 habitantes, ou seja, aproximada - e tão-somente -  2% sobre o número base da série histórica considerada. Significa uma média inexpressiva de 1.500 habitantes/ano. Onze, dos municípios analisados, têm menos de dez mil habitantes e alguns vêm tendo suas populações gradualmente diminuídas, embora nenhum em números ou ritmo que se diga alarmantes. O eixo Pelotas/Rio Grande concentra 62% da população total e são os únicos municípios que apresentam algum crescimento populacional minimamente significativo - fruto, a olho nu, e em grande medida, do processo migratório dos próprios municípios vizinhos.

Mais do que curioso, o fato é preocupante. Conquanto sabidamente os índices de natalidade no país (o fenômeno é mundial) venham apresentando queda acentuada nos últimos 30/40 anos, no período analisado o RS teve aumentada sua população em 5% e o país em 12%. Focada apenas a nossa microrregião e descontados, para fins de análise, os menores de idade, ainda fora do mercado, os já aposentados e os inativos por razões diversas, nossa População Economicamente Ativa (PEA) não excede, hoje, estimativamente, a 38% da população total.

A média nacional, que se anuncia não muito diferente da mundial, segundo as estatísticas oficiais, é de aproximadamente 56%. Além de grande, nossa defasagem é agravada, ainda, pela baixa atratividade média dos empregos disponibilizados, incapazes, estes, de descontinuar a flagrante evasão de nossos talentos em idade produtiva, que ao migrarem para outras regiões do Estado e do país em busca de oportunidades mais compensadoras de trabalho e renda..., não mais retornam.

Na década de 50 e ainda nos primeiros anos da década de 60, a chamada Metade Sul abrigava aproximadamente 46% da população do Estado. Presentemente estamos reduzidos a 19%. Observe-se por outro ângulo que, à exceção de Canguçu, 92% do contingente populacional considerado está nas áreas urbanas, em prejuízo da atividade rural que constitui o grande e único diferencial das respectivas economias locais.

Para o Planejamento Econômico a questão populacional é uma variável chave. Por menos que profissionais de outras áreas aceitem, população é “ativo” econômico. É “capital” social. Na perspectiva moderna do conhecimento e da tecnologia é “massa pensante” - o único recurso capaz de fazer a diferença e de levar as regiões ao desenvolvimento. É força produtiva. É mercado. É a própria “razão de ser” da economia e o grande referencial para a tomada das decisões em que necessariamente se deva apoiar a formulação das políticas públicas de interesse regional.

Não há como ignorar esse processo gradual de fragilização da região. E não se trata de sinistrose. Trata-se de desenvolver consciência crítica para um fato concreto, preocupante, que merece reflexão (e ação), sobretudo porque grandemente condicionante de nossas pretensões de desenvolvimento. É tema a ser pautado com objetividade nas reuniões de lideranças locais e microrregionais.


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