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Perspectivas ambientais para a Região Sul: bate-papo com o deputado Fábio Branco

24 de Abril de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Dutra da Silva, ecólogo - dutradasilva@terra.com.br

Neste terceiro bate-papo com os nossos representantes no Parlamento, quanto ao que pensam e projetam sobre nossas questões e demandas de meio ambiente, eu escrevo sobre o deputado Fábio Branco, 47 anos, natural de Rio Grande, experiente na política, já foi prefeito, deputado, secretário estadual e secretário-chefe da Casa Civil do Estado, no governo de José Ivo Sartori. Foi eleito em 2018 deputado estadual pelo MDB, com mais de 41 mil votos. Um político sólido, de ideias claras, que chega na Câmara Legislativa pronto para ajudar o governo nas dificuldades a serem enfrentadas.

Como não podia ser diferente, iniciamos a conversa pela notícia da construção de um novo porto marítimo, no litoral norte do Estado, entre Torres e Arroio do Sal. Uma iniciativa privada, estimada em R$ 1 bilhão, que tem como principal mobilizador político o senador Luis Carlos Heinze (PP). Suas primeiras palavras foram: "vejo este projeto com muita preocupação". E disse, também: "as manifestações públicas que venho fazendo, as faço no sentido de despertar o debate em torno da importância do porto do Rio Grande, que opera a mais de 100 anos. Não sou contra ao investimento, mas será que é viável? A construção de um porto naquela região pode ser muito complexa e os riscos ao meio ambiente e o impacto negativo ao turismo não podem ser descartados."

Na visão do deputado, precisamos valorizar o nosso porto e trabalhar pela sua competitividade. Avalia que é importante finalizar as obras de duplicação da BR-116, mas o valor do pedágio está muito caro e devemos buscar um modelo logístico mais barato. Diz, também, que ao invés de dar atenção aos factoides o Estado precisa direcionar seus esforços em melhorar o ambiente de negócios e estimular o uso de alternativas ao transporte de cargas e mercadorias, como ferrovias e hidrovias. Que há anos enfrentamos fuga de cargas para outros portos, sobretudo para os portos do estado vizinho de Santa Catarina. E isso só podemos enfrentar solucionando os problemas estruturais do nosso porto de vocação. E dá o recado: "se um outro porto fosse viável, já teria sido feito. Então, não devemos perder tempo criando falsas expectativas em torno de algo inócuo para o desenvolvimento do Estado."

Falamos de conflitos e mudanças na política ambiental brasileira de meio ambiente, por muitos avaliada como um sinal de retrocesso. De imediato, o deputado afirmou que não é radical e não gosta de extremos. Que não concorda com a tentativa de achar que está tudo errado. Que o radicalismo apenas nos traz prejuízos. Por outro lado, as regras e obrigações para com o ambiente precisam ser claras e seguidas integralmente, sem exceções. Precisamos buscar eficiência na fiscalização e no controle. O licenciamento ambiental deve ser capaz de regular com força o que realmente é importante. Ser ágil e eficiente é diferente de ser liberal, defendeu, com entusiasmo.

Seguimos a conversa e entramos no saneamento, outro tema de grande preocupação para o deputado. Ele reconhece que falta falarmos mais sobre essas questões e lembrou que pagamos mais em saúde por conta da falta de saneamento, que também afeta fortemente o meio ambiente. Citou que em Rio Grande a Corsan vem realizando investimentos significativos em saneamento, por meio de recursos alcançadas a fundo perdido. Sugeriu que outros municípios da região se mobilizem para fazer o mesmo, como Pelotas, que precisa de mais de R$ 400 milhões para universalizar o tratamento de esgoto.

Por último, falamos do uso abusivo de agrotóxicos e do risco de contaminação da água e dos alimentos. Segundo Branco, falta informação e uma política nacional com parâmetros mais rígidos. Para ele, precisamos nos aprofundar no tema para formar o debate político, particularmente quanto ao custo que o uso de venenos em lavouras representa à saúde e ao meio ambiente. Também, discutir alternativas viáveis para oferecermos aos produtores, que não podem ficar descobertos da tecnologia. Afinal, são eles que garantem a comida na mesa.

A grande verdade é que precisamos formar um debate profundo das nossas questões, sobretudo da Metade Sul. A nossa economia depende de uma revolução logística, devemos dar maior atenção à saúde e ao meio ambiente, investir pesado no saneamento básico das nossas cidades e rever a política de aplicação de venenos. O futuro depende das escolhas que decidirmos fazer hoje.


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