Artigo

Perdeu, perdeu!

01 de Outubro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Juliano Ortiz, jornalista

2020. Se esta crônica terminasse sem a inserção de qualquer letra, já seria o prenúncio suficiente de algo não muito bom. Nem mesmo os Maias poderiam prever o que viríamos a presenciar depois de 20/12/2012. O mundo não acabou, mas o fim já não parece tão distante. Não à toa, este ano tem sido marcado por inúmeras perdas. Talvez esta palavra resuma bem o que tem sido 2020. Qual seria o coletivo de perda? Perdas coletivas? Pode ser.

Desde pequenos, somos acostumados a ter tudo o que queremos. Se não podemos, ainda assim queremos. Se podemos, queremos ainda mais. Somos insaciáveis e vivemos com uma voracidade animalesca. Diferentemente de alguns animais, vorazes por natureza, nos falta o instinto de sobrevivência. Não sabemos nos comportar diante da perda; seja ela qual for.

2020 tem nos ensinado, a duras penas, que somos vulneráveis. Nem o ego mais inflado é capaz de permanecer irretocado frente às bordoadas provocadas por uma perda. Dizem que a derrota ensina tanto quanto a vitória. Mas diferentemente da derrota, possível de ser transformada em vitória, certas perdas são definitivas.

A perda de um familiar ou de um amigo. A perda de um animal de estimação ou de um grande amor vivido. Pode acontecer com você, pode acontecer comigo. A perda não escolhe endereço, mas pode te encontrar em qualquer esquina. Ninguém está livre de ficar preso no vazio deixado por uma perda.


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