Editorial

Pedido de socorro

04 de Agosto de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O comércio pelotense opera no limite. Para muitos, já ultrapassou essa marca há um bom tempo. Não suporta mais o abre e fecha, a bandeira vermelha numa semana e a laranja na outra, a falta de consumidores. E com o fim da paciência, por ser uma das partes mais sacrificadas na superação da pandemia, crescem suas cobranças sobre o Poder Público, responsável por estabelecer as regras de funcionamento.

O relógio passava das 9h30min de ontem quando o telefone da Redação do Diário Popular tocou. Do outro lado da linha, um empresário que queria desabafar. Eram apenas as primeiras horas da manhã do início da semana do Dia dos Pais e ele desejava falar de todas as suas aflições. Com várias perguntas sem respostas: "O que eu faço?"; "Até quando isso vai continuar?"; "Porque as regras valem para uns e não para outros?"; "O comércio nos bairros funciona livremente e no Centro não pode?"

O comércio é o motor principal que faz funcionar a economia pelotense. Sem ele, não há emprego, dinheiro para impostos e investimentos. O bem-estar social é impactado, crescem a mendicância, a violência, a evasão escolar, a informalidade. Pelotas descobriu na pandemia o valor que o comerciante, independentemente de seu tamanho e seu trabalho, tem para a cidade. Sua relevância ao empregar um ou cem funcionários, seu papel na circulação de bens e serviços, seu peso no desenvolvimento.

O rastro de perdas deixado pelo novo coronavírus será sentido por anos, em vidas e negócios. Justamente o que divide as autoridades na hora de anunciarem decisões. E as vidas, acertadamente, serão sempre mais importantes. Mas não há - e isso já está provado - como manter uma cidade trancafiada eternamente, até a chegada da vacina. O equilíbrio é fundamental, para que a balança não penda constantemente para um dos lados.


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