Artigo

Pealo como ninguém

22 de Julho de 2019 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

De Paulo Rosa, Serra do Pedregal, Piratini

prosasousa@gmail.com

Pelo presente instrumento, venho oferecer minhas credenciais, tendo em vista os momentos acres que vamos vivendo, tão amiúdes na atual temporada. Em primeiro lugar, considere-se a invectiva de abertura. Esclareço que não se trata de presunção ou basófia e, sim, de algo veraz - disponho de documentação fílmica - e que é condição paulatina e trabalhosamente alcançada. Foi com real empenho que alcancei o domínio do laço, chegando por fim ao ápice: o pealo, com índice de acerto de 82% dos tiros, mantendo o chapéu no lugar, motivo de orgulho. Na cultura piratiniense não é considerado fato de pequena monta. De mais a mais, ressalto que entre os peões campeiros, escassos como tubianos de boa montaria, o manejo destro do laço é condição, hoje em dia, premium, pois muitos deles são gaúchos de bicicleta, dada a escassez e o valor atual desmedido, tanto de equinos quanto de muares.

Na doma de baixo confesso boa destreza, tendo a mostrar uma grosa de potros que, de xucros, hoje se mostram pacíficos como Gandhi e se deixam tocar, sem estranhamentos, nas patas, virilhas e cola.
Desde sempre adepto da doma racional, sempre me opus à doma bruta, ao quebra-queixo e ao cortejo de brutalidades para com os animais, especialmente os cavalos, os melhores amigos do homem. A hora da monta, para mim, só chega quando o gateado perdeu totalmente o sestro e aceita no lombo os arreios sem nenhum mau-estar. O uso da cincha preconizo que seja na modalidade quantum satis, isto é, nada de dividir a barriga do animal em duas, de tanto puxar o látego, e sim a aproximação suave da barrigueira, apenas permitindo que não virem os arreios com o cavaleiro atrelado.

Quanto ao manejo de ovinos, caprinos, suínos e assemelhados, declaro-me de bom trato e de bom cuidado na cura de bicheiras e outras miíases encontradiças nessas espécies. Recomendo o banho regular contra a sarna e o uso periódico de vermífugos, dada a alta prevalência de verminoses em todo o território nacional. A prevenção é tudo, é meu lema, seja em medicina humana, seja veterinária, na luta contra zoonoses.

No manejo da terra e das águas tenho a declarar que sempre procuro a conservação das superfícies, evitando o uso intempestivo de arados e lavras profundas. Defendo a semeadura em terras não lavradas, o uso de herbicidas orgânicos e os cuidados com as águas naturais, dispondo na internet o site #preserveseuarroio. Se Mario Quintana estivesse entre nós, apoiaria o movimento, ele, que achava que fumar era uma forma de suspirar, e que os mestres da academia brasileira de letras, por néscios, passarão, e que ele, Quintana, passarinho.

Tenho prática de fogo de chão e preconizo o uso de churrasco no espeto, assando a carne antes de salgá-la, coisa que se deixa para o final, com leve salmoura, salpicada com rama de aroeira. Churrasco bem gaúcho serve-se puro, sem acompanhamentos.

Dei aula na UCPel, na Harvard e em Chicago, mas, não frito hambúrguer.

 


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