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"Pátria amada, Brasil..."

10 de Setembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Manoel Jesus, educador
manoeljss21@gmail.com

Embora o gaúcho não goste de se reconhecer como emotivo, quando chega a Semana da Pátria e a Semana Farroupilha nossos símbolos ficam mais em evidência e as cerimônias que envolvem a bandeira, o hino e a chama acesa são motivo de orgulho. Despertam sentimentos adormecidos e, por que não dizer, embotados, durante o ano, quando a preocupação acaba sendo, literalmente, tocar a vida...

O emprego indevido por grupos de muitas matizes ideológicas - mais preocupados em utilizar-se da população do que em servi-la - desgastou o que deveria unir quem vive numa mesma terra e almeja, simplesmente, o direito de ser feliz. Gaúchos e brasileiros quando vão às ruas vestindo verde e amarelo ou alguma cor em protesto não estão se insurgindo contra os símbolos, mas sabendo que são exatamente isto: símbolos!

Símbolos nacionais são a liga, reunindo pessoas que suplantam preconceitos por elementos básicos como a educação e a solidariedade. O primeiro elemento não sendo apenas para gerar conhecimentos, mas para a capacidade de discernir entre o lobo e o cordeiro, o verdadeiro e o falso, os bons e os maus... O segundo é capaz de criar mentalidade que supera o individualismo, aproximando e aparando as arestas da desigualdade.

No sábado, 7 de Setembro, a televisão recuperou imagens da campanha que beneficiou o Sertão Nordestino. Entre as doações, um par de chinelos infantil. Na sola, escrito que já havia sido dado bom uso, agora, que outra criança o fizesse. Também, o menino que aprendeu a ler aos 10 anos com os gibis do Maurício de Sousa. Aos 13, ajuda a tia e a mãe a sustentar a casa vendendo panos de prato e reserva parte para comprar livros...

Bondade e persistência não nos faltam. Mas para que a "pátria amada, Brasil" veja cidadãos amadurecendo, é preciso que se transforme em gente educada e solidária. Nas coisas simples: grita-se contra a corrupção e pede-se que o guarda retire a multa; discursa-se contra a prefeitura que não limpa as sarjetas, mas atira-se lixo nas calçadas; e exercita-se a Lei de Gerson: "é preciso levar vantagem em tudo, certo?"

JJ Camargo diz no seu texto Coragem para ser otimista que há uma receita para a realização pessoal. Creio que vale para um povo: determinação insubmissa, resistência diante dos fracassos, coragem para se manter no comando, vontade para vencer a acomodação e a preguiça, e otimismo para acreditar que tudo vai melhorar.

Está tudo nas mãos dos brasileiros... É preciso atitude para cobrar investimentos em educação, postura solidária e convicção em exigir dos políticos destinação das riquezas no maior de todos os bens: a criança. Embrião da nova mentalidade, em que os símbolos deem sentido ao que almejamos: "paz no futuro e glória no passado" e que se torne uma realidade: "dos filhos deste solo és mãe gentil. Pátria amada, Brasil!".


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