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Para que não passe em "cinzentas" nuvens

01 de Novembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nilo Moraes de Campos, servidor público federal do IFSul, mestre em Política Social

Conforme a legislação vigente, o servidor público é um funcionário da administração pública que possui um vínculo de trabalho com órgãos que fazem parte do Estado. Em outras palavras, serve ao país, à sociedade soberana. Ocupa cargo público e presta serviços diretamente às estruturas estatais. Estes cargos existem nas esferas da administração federal, estadual e municipal. Geralmente, as relações de trabalho entre as partes são regulamentadas por um estatuto. A regra definida pela Constituição Federal para acesso a estes cargos é o concurso público. A par destas questões, somos trabalhadores semelhantes aos da iniciativa privada, liberal ou autônoma, visto que a grande maioria dos que trabalham tem sua atuação focada na sociedade.

Tal preâmbulo é feito para que a sociedade entenda o papel do servidor público. Os governos são equipes eleitas pelo povo para a "vaga de gerente" da "coisa" pública, devendo, teoricamente, gerir em prol do bem comum, conforme os desejos do "dono do negócio", a sociedade. Para tanto, contam com a estrutura do Estado, que inclui seus agentes. Na prática, muitas "equipes" passam longe desta teoria. Atuam em benefício de grupos poderosos, política e economicamente. Chegam ao ponto de modificar a legislação em favor destes grupos. Falo sobre o que grande parte da sociedade já percebeu. No entanto, todos devem saber que, para que esse desvio de conduta permaneça ativo, mas difuso e obscuro, faz-se "necessário" difamar, aviltar a imagem do servidor público, como se fosse a grande causa das mazelas deste país.

Muito ao contrário, são os servidores públicos que executam as boas políticas e suportam, "seguram o rojão" das péssimas práticas determinadas pelo "gerente", governo após governo. Somos nós que evitamos danos, ainda maiores e mais graves do que aqueles já ocorridos, os quais sempre insistem em nos imputar. Somos nós que mantemos o funcionamento das estruturas estatais, apesar dos erros absurdos cometidos pelos governos. Não há país em qualquer lugar do mundo sem funcionários públicos, porque não haveria funcionamento da malha social. São professores, engenheiros, médicos, policiais, bombeiros, agentes administrativos, dentre tantos outros que deixo de mencionar. A qualidade do trabalho deve ser reconhecida.

Assim, neste momento político difícil e de divisão do país, mais importante se torna exaltar o significado da data e, principalmente, a luta dos servidores na defesa do serviço público brasileiro. Não temos culpa da situação precária da saúde, da educação e da segurança, para dizer o mínimo. Tal precariedade tem origem nas péssimas gestões. Estamos lá em nossos postos trabalhando (em alguns casos com atrasos de salário), fazendo o melhor possível, apesar das difíceis condições de trabalho encontradas na maioria dos ambientes. São as administrações que não têm competência e/ou interesse em resolver os problemas que atingem diretamente as políticas sociais. Portanto, governantes, políticos, não apontem suas culpas para nós. Não são os servidores que tomam as decisões erradas e nem são eles os envolvidos em escândalos de corrupção, de enriquecimento ilícito. Nosso maior interesse e obrigação é executar nosso trabalho em prol do bem comum, da sociedade, especialmente dos menos favorecidos.

Portanto, senhores políticos, tomem como exemplo os servidores do Estado brasileiro. Deixem de usar o poder, do qual são detentores temporários, para se apropriarem do que não lhes pertence. Trabalhem para o grande chefe chamado sociedade. Não atrapalhem o trabalho do cidadão brasileiro, seja ele servidor público, trabalhador privado ou autônomo. Todos estão na mesma "nau sociedade".

Temos convicção que, apesar dos ataques históricos que sofremos permanentemente, não perderemos o ânimo, a energia para lutar, porque temos alma e paixão! Quando percebe que a escolha do "gerente" não deu certo, a sociedade como dona do "negócio" deve trocar o comando em função dos resultados negativos. Bons "gerentes" devem ser eleitos, e poderão contar conosco para um efetivo trabalho conjunto em favor de quem é o real destinatário de nossa labuta.

Definitivamente, a sociedade não deve confundir servidor público (de carreira) com maus políticos que, por liberalidade e poder de escolha do povo, não raramente são designados para gerir a "máquina pública".

A estes, que somente pensam em se locupletarem, geralmente faltam-lhes preparo, conhecimento técnico e, não poucas vezes, virtudes e qualidades de cunho ético. Parabéns a todos os servidores públicos pela heroica escolha que fizeram em algum momento de suas vidas, de trabalhar para a sociedade, nosso empregador!


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