Editorial

Para nunca mais esquecer

07 de Maio de 2014 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

 

Esta quarta-feira não será agradável para milhares de moradores em Pelotas. O 7 de maio é uma data que traz lembranças ruins às famílias vítimas da grande enchente de 2004. Este dia, portanto, marca os dez anos de uma manhã que iniciou seca, após vários dias contínuos de chuva, e terminou, por volta das 11h, em uma das maiores catástrofes da história recente da cidade.

Naquele 7 de maio parcela significativa da população, residente na faixa abaixo da rua Marcílio Dias, dos bairros Fragata ao Centro, saiu de casa para trabalhar. Havia chovido mais de 300 milímetros nas últimas 72 horas. Mas parecia que tudo havia passado. Foi quando uma parte dos canais próximos ao Parque do Trabalhador rompeu e o volume acumulado avançou com força em direção às ruas e às casas. As pessoas, surpreendentemente, viram a água começar a subir e tomar conta de tudo. Como uma tsunami.

A imagem mais impressionante, marcada na memória de todos, foi o do Terminal Rodoviário, que ficou completamente submerso. Mas ninguém entendia direito o que estava acontecendo, afinal, a enchente acontecia em um tempo que já estava seco, sem chuva.

Quem estava no trabalho e retornou próximo à hora do almoço para o seu lar encontrou um cenário desolador. Vizinhos tentando salvar o que podiam, gente chorando, desesperada, desassistida pela velocidade com que tudo aconteceu. Naquele 7 de maio, há uma década, Pelotas encarou de frente a fragilidade de seu sistema de escoamento pluvial e o quanto era importante que os canais fossem limpos, periodicamente.

E naquele dia, a falta de manutenção do Santa Bárbara, no pontilhão da avenida Duque de Caxias, pode ter sido determinante no curso que a água tomou após não conseguir passar pela vegetação ali parada, há várias semanas.

Na época a prefeitura disse que contra 300 milímetros de chuva nada poderia ser feito, mas a cidade não teve a oportunidade de saber o quanto um canal limpo faria toda a diferença. Porque, simplesmente, os canais não estavam limpos para facilitar a vazão. Fotos feitas por moradores dias antes da tragédia e tornadas públicas após a enchente comprovaram a sujeira do Santa Bárbara.

A prefeitura parece que aprendeu a lição depois disso, até mesmo porque a imprensa não deixou mais esse caso cair no esquecimento. Volta e meia a população também reclama no jornal, no rádio, na tevê, na internet, da sujeira e da vegetação acumuladas no sistema de escoamento. Para que a prefeitura saiba e limpe mesmo.

O ano de 2014, dez anos após a grande enchente, é apontado como o período de retorno do El Nino, fenômeno responsável por causar o aumento da chuva na nossa região. Hora, portanto, de o município fazer a lição de casa. Lição essa que, em 2004, não foi feita e deixou cicratizes até hoje difíceis de apagar em milhares de pessoas.


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