Ponto de Vista

Papai Noel de todos nós

Acreditei que ele poderia me presentear com tudo que pedisse. Pensei que Noel era um super-homem

14 de Dezembro de 2012 - 05h45 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Ana Cecília Romeu, publicitária e escritora

Sonhei noite passada com o Papai Noel, senhor bem apessoado, vestia calça jeans e camisa de tecido leve. Lembro-me que o convidei para sentar à mesa e tomar um cafezinho.

Olhando firme para ele, disse:

- Papai Noel, o senhor poderia dar um jeitinho de amenizar as corrupções e injustiças sociais no nosso país?

- Ho ho ho - disse - Sou apenas o Papai Noel.

Acordei-me de súbito. Mas como “apenas o Papai Noel”? Ora essa! Acreditei que ele poderia me presentear com tudo que pedisse. Pensei que Noel era um super-homem. Presenteou-me com a boneca, a bicicleta e até o cachorrinho de pelúcia que latia de verdade.

O Natal parece mágico mesmo, até para quem nem acredita em Jesus ou não leva a sério os motivos religiosos, mas não pode ignorar as decorações, os presentes, a reunião em família ou com amigos, os colegas de trabalho ou estudo. Algo estará acontecendo que propicia certa reflexão preparatória de virada de ano e a figura do Papai Noel, ainda que um mito urbano e infantil, se introduz em nosso cenário. É impossível ignorar o apelo simbólico desse senhor, um resgate do gênio da lâmpada com roupa vermelha de inverno, mesmo no nosso verão brasileiro.

Quantas coisas desejamos, materiais ou não, o que precisamos e o quanto tentamos conseguir, todas essas facetas ficam mais transparentes em época de Natal. É como celebrar um nascimento toda vez que abrimos uma reflexão sobre o que poderia acontecer ou se o que aconteceu foi ou não como se pretendia. Se conquistamos ou perdemos. De certa forma, isso nos traz algum tipo de aprimoramento ou nos sentimos vivos por traçar objetivos ou por querê-los concretizados.

Se você pudesse pedir ao Papai Noel qualquer coisa na sua vida, sabendo que ele realizaria, o que você pediria?

Mas como a realidade é diversa, temos que lutar muito para conseguirmos o que almejamos, então nos resta buscar a vida. Reunirmo-nos com os amigos, com a família, buscar o Papai Noel primeiro em nós mesmos, na certeza que temos que fazer por nós, antes de exigirmos do mundo um tipo de compensação.

Esse é o Natal, um nascer para si que se refletirá nos outros. Num olhar, num sorriso. Pois vida que nasce também é a simplicidade de luzinhas em pisca-pisca, de um forte abraço, de lembranças: uma ou mais pessoas em comunhão numa noite quente, ao redor de uma mesa, conversando sobre a vida.


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