Editorial

Os jogos da discórdia

12 de Maio de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A Olimpíada de Tóquio 2021 vem causando tanta apreensão quanto expectativa. O evento está programado para iniciar no dia 23 de julho, mas apesar da relativa proximidade não tem aprovação da maior parte da população anfitriã. Em recente pesquisa realizada no Japão, quase 60% dos entrevistados declararam preferência pelo cancelamento dos jogos. Em outra frente de oposição, uma petição foi assinada por mais de 230 mil pessoas com a mesma finalidade.

A tensão no país aumenta à medida em que cresce o número de mortos pela pandemia. Nos últimos dias, muitos óbitos de japoneses foram registrados em casa, em um momento em que variantes mais infecciosas do novo coronavírus atiçam uma quarta onda de contaminações e os recursos hospitalares se aproximam do esgotamento no país. A revolta pública com o governo por causa do tratamento da crise também está aumentando, assim como as dúvidas sobre a viabilidade de se realizar os Jogos Olímpicos em pouco mais de dez semanas, enquanto a campanha de vacinação custa a ganhar ritmo (é a taxa de imunização mais baixa entre as nações de maior poder econômico).

Rebatendo críticas, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse esta semana que “nunca coloca a Olimpíada em primeiro lugar”. O Japão prorrogou um estado de emergência em Tóquio e três outras áreas até o final de maio e está tendo dificuldade de conter uma disparada de casos de Covid. Mesmo assim, Suga e outras autoridades olímpicas internacionais insistem que o evento acontecerá de forma “segura e protegida”.

Em meio a esta guerra de argumentos estão os atletas, divididos entre a preparação profissional e o cuidado com a saúde. Os brasileiros, por exemplo, estão com a vacinação garantida. Pelo menos é o que anunciou ontem o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Toda a delegação olímpica e paralímpica brasileira será imunizada, em um total de 1.814 pessoas. Para que isso fosse possível, foram doadas doses pela farmacêutica norte-americana Pfizer e outras pela chinesa Sinovac, fabricante da CoronaVac. De acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), serão imunizados também todos aqueles credenciados a acompanhar as delegações, incluindo jornalistas, oficiais e técnicos que trabalharão nas mais variadas funções.

Aqueles que não enxergam a realização dos Jogos Olímpicos como prioridade, seja no Brasil, no Japão, ou em qualquer canto do mundo, ainda muito vão se manifestar. A Olimpíada de 2021, já adiada no ano passado, está carregada de discórdia. Sua realização é iminente, mas o brilho segue ausente, tanto pela futura falta de público quanto pela presente falta de aprovação.


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