Editorial

Os indispensáveis celulares

Chegou a 115,4 milhões o número de pessoas com dez anos ou mais de idade que têm o aparelho de uso pessoal

20 de Maio de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Chegou a 115,4 milhões o número de pessoas com dez anos ou mais de idade que têm celular de uso pessoal, mais do que o dobro dos 55,7 milhões de usuários de 2005. Sete em cada dez brasileiros (69,1%) têm pelo menos um celular, indica a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011 divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Seis anos antes, eram menos de quatro em cada dez (36,6%). Apesar do avanço em tão pouco tempo, existem 51,5 milhões de brasileiros nesta faixa etária sem telefone móvel.

De acordo com este mesmo levantamento, na região metropolitana de Porto Alegre – composta por 33 municípios – o índice de telefone celular para uso pessoal atinge 83,6% da população com dez anos ou mais de idade. Na comparação com as demais regiões metropolitanas do país, Porto Alegre ocupa a primeira posição, seguida por Salvador (81,2%) e Belo Horizonte (79,8%). Os dados foram coletados nos anos de 2005, 2008, 2009 e 2011, o que oportunizou a comparação desses indicadores.

Pela primeira vez, a proporção de mulheres com telefone móvel é maior que dos homens, embora a diferença seja pequena. Na população feminina, 69,5% têm celular e na masculina, 68,7%. A inclusão no mercado de trabalho, o que passou a proporcionar renda própria, é um dos fatores que explicam o crescimento da proporção de mulheres com celular.

A Pnad não investigou o número de celular por pessoa, mas dados da Anatel mostram que, em março deste ano, havia 264 milhões de linhas ativas de celulares, número maior que a população brasileira, de 195 milhões de pessoas.

Especialistas chamam a atenção para o aumento significativo da proporção dos chamados trabalhadores dos serviços (pedreiros, marceneiros, pintores, eletricistas) com telefone móvel, que passou de apenas 36,7% em para 80,4% em 2011. Embora muitos desses trabalhadores tenham escolaridade baixa, o celular é um instrumento de trabalho para eles. Já a internet é quase inacessível. Apenas 37,2% dos trabalhadores dos serviços se conectam à rede mundial de computadores.

Os mais velhos e os mais novos foram os que mais fizeram crescer o contingente de donos de telefones celulares. A proporção de pessoas com 60 anos ou mais com celular aumentou de apenas 17% em 2005 para 44% em 2011. Ainda é um porcentual baixo se comparado aos 83% de donos de celular na faixa dos 24 aos 34 anos.

Ainda que o celular tenha se difundido muito antes da internet e seja mais amigável, os mais velhos ainda usam pouco, mas a utilização é crescente. O celular também está cada vez mais presente na vida das crianças de dez a 14 anos: em 2005, 19,2% da população nesta faixa etária tinha telefone móvel e passou para 42% em 2011.

O Distrito Federal, com as maiores taxas de renda e escolaridade do país, tem a maior proporção de pessoas com celular de uso pessoal, com 87%. No outro extremo está o Maranhão, com 45,2%, único Estado onde menos da metade da população tem telefone móvel. Em 2005, apenas 14% dos maranhenses tinham celular. A Pnad mostra que Goiás e Mato Grosso do Sul, estados com grandes áreas rurais, estão, respectivamente, em segundo e terceiro lugar no ranking dos que têm maiores proporções de moradores com celulares. A tendência é que os telefones fixos sejam substituídos pelos móveis.


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