Editorial

Os ensinamentos do IFSul

Antônio Carlos Barum Brod, tem lições especiais de um gestor que se preocupou em usar da melhor forma possível o dinheiro público destinado à educação

21 de Janeiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A entrevista publicada na edição desta segunda-feira (21) do Diário Popular com o reitor do IFSul, Antônio Carlos Barum Brod, tem lições especiais de um gestor que se preocupou em usar da melhor forma possível o dinheiro público destinado à educação. Lições que podem ser aplicadas em outras esferas, municipal, estadual e federal, por agentes eleitos ou nomeados para os cargos públicos. E uma das principais é saber aproveitar o modelo administrativo livre das amarras das gestões transitórias. Os escolhidos chegam, cumprem seus mandatos e vão embora. Os funcionários ficam. São eles, na verdade, que dominam e conhecem todo o processo. E deveriam ser eles, portanto, os maiores beneficiados pela qualificação profissional. Quanto mais preparados estiverem, melhor para todos.

E isso Brod fez questão de destacar na conversa com o Jornal. No IFSul a mudança de reitor não representa a conhecida limpeza dos gabinetes. Lá os funcionários são contratados, por concurso, para trabalharem neste setor, independentemente das trocas de gestões. Uma realidade bem diferente de outras unidades públicas, onde a cada mandato assumem novos secretários, assessores, chefes de departamento e, sem saber o que devem fazer, demoram meses para compreenderam suas funções. E com eles cresce a burocracia, alongam-se os prazos, perdem-se projetos, engavetam-se propostas. A novidade, não raro, representa um atraso.

O reitor que deixará em breve o IFSul gosta de comprometimento de quem escolheu trabalhar com o ensino. Por isso não recuou quando questionado sobre as ações que desencadearia se tivesse dito sim ao convite para assumir a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Pelotas - Brod não aceitou por ter outros projetos. Sua prioridade seria qualificar o corpo docente. Investiria com força no melhoramento profissional dos professores. Automaticamente, a curto e médio prazo, essa ação daria frutos na sala de aula.

Na parte de infraestrutura, outra lição a ser copiada do IFSul. Nada é inaugurado, entregue à comunidade, sem que ofereça as condições mínimas para o atendimento dos alunos e seus mestres. Foi assim com os campi abertos e em construção no Estado. As solenidades só ocorrem quando, de fato, há o que ser apresentado. Inaugurações no papel não existem. É preciso enxergar o dinheiro público transformado em prédios, salas de aulas, máquinas, esquipamentos. A preocupação com o orçamento que sai do bolso do povo é tão grande que os próprios construtores passaram a reconhecer o IFSul como um dos órgãos mais exigentes no controle dos gastos em obras. Um “chato” a ser seguido.

Brod encerra oito anos de administração com um trabalho louvável e feito muitas vezes no silêncio, sem alarde e cerimônias pomposas. Sua obstinação é o legado que deixa. Lições a quem está começando.


Comentários

  • isadora pinto da silva - 22/01/2013

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