Artigo

Os empregos virão?

17 de Fevereiro de 2020 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Ezequiel Megiato


Uma das formas mais simples de averiguar o crescimento econômico de um país ou de uma região é determinada pela sua capacidade de geração de emprego e, por consequência, gerar renda.
Durante todo o ano passado, vimos, em termos nacionais, uma leve recuperação econômica. Ao que tudo indica, tivemos um crescimento do PIB inferior a 1%, um pouco menor do que 2018, mas, ao menos positivo. E, dizer que esse percentual não é motivo de comemoração não é ser pessimista, mas realista, uma vez que o país cresceu aquém das expectativas. A geração de empregos em termos nacionais, por sua vez, apresentou um acréscimo em 2019, quando comparado a 2018. Foram 644 mil novas vagas no ano passado, o melhor saldo em seis anos, contra 529 mil de 2018. Sim, esse é um fato que deve ser comemorado.

Como já comentado neste espaço, o crescimento econômico de um país não necessariamente possui comportamento linear, isto é, por mais que resulte do crescimento dos municípios e dos estados, há discrepâncias entre as unidades da federação.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, ainda estagnado em uma grave crise estrutural, está apresentando indicadores piores do que o país. A geração de emprego em 2019 foi positiva, geramos 17 mil novos empregos, contudo, esse resultado é 15% inferior ao do ano retrasado, quando tivemos incremento de 20 mil novos postos de trabalho.

Em se tratando da dinâmica dos setores da economia gaúcha, os piores resultados advêm da construção civil (-3.553) e da indústria (-2.471). Comércio (7.751) e o setor de serviços (16.032), por sua vez, foram os responsáveis pelo melhor saldo. A agropecuária, importante setor da economia gaúcha, não teve fôlego em 2019 e também encerrou o ano quase no zero a zero, mas negativo em 88 vagas.

Em nossa região, infelizmente, os resultados são ainda piores do que os apurados no Estado e igualmente piores do que os de 2018. Pelotas perdeu 513 postos de trabalho formais, em 2019, quase 10% superior ao resultado de 2018, quando perdemos 469 vagas. Aqui, com exceção do comércio, que apresentou saldo positivo de 143 vagas, todos os demais setores tiveram comportamento de queda acentuada. O setor de serviços, responsável por mais quase metade do PIB pelotense, foi o maior vilão, com saldo negativo de 234 vagas, seguido por indústria (-208), construção civil (-158) e agro (-56). Rio Grande, tal como Pelotas, teve resultado negativo, fechando 703 postos de trabalho. Na ranking estadual, dos 498 municípios gaúchos, Pelotas ficou na 494ª posição e Rio Grande na 496ª, portanto, em péssimas condições comparativas.

A boa notícia de 2019, contudo, está bem pertinho e veio de São José do Norte. O município ficou na 4ª posição estadual, com invejáveis 1.060 novas vagas de emprego, advindas de investimentos ali alocados na indústria naval e de extração.

Em termos gerais, é preciso que os governos, em todas as esferas, percebam que outros fatores, para além das crises fiscais, estão afetando a capacidade de geração de emprego. Há uma nova economia surgindo e os governos ainda não perceberam isso. Nunca mais teremos fábricas e indústrias como tínhamos antigamente. De igual forma, é pouco provável que o setor público torne a ser motor propulsor do crescimento econômico. Repito, há uma nova economia, e ela pressupõe basicamente inovação. E o que é inovação e como se faz inovação? Está tudo em aberto. Vamos discutir isso na próxima coluna.

 


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados