Instantâneos

Onde está a verdade?

Estamos perdendo a noção do real e do fictício, o inventado, o figurado

21 de Janeiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Eduardo Stein Teixeira, advogado

Estamos perdendo a noção do real e do fictício, o inventado, o figurado. Onde a verdade tem estrutura de ficção e o real é o possível. Assistimos diariamente a abusos sexuais, estupros, latrocínios, policiais marcados para morrer, filhos com os pais assaltando e roubando, sendo que deveriam estar na escola, praticando esportes e brincando. Suspeitos saindo das delegacias de polícia praticamente junto com as vítimas. Cada vez mais grades, cercas elétricas, câmeras, muros altos em nossas residências, para proteção contra tudo e contra todos, pessoas com lágrimas contidas, com vontade de chorar e o poder nas mãos de poucos e incompetentes.

Presídios superlotados, depósitos de gente. Isso tudo é o real. O fictício, o inventado, são as leis, as regras, para que todos possam viver em igualdade e sejam harmoniosamente cumpridas. O inventado é o voto, o trabalho, a poesia etc. Precisamos reinventar a relação humana em nosso século, pois o homem é contraditório, não sabe de onde vem nem aonde vai. Cada vez mais a ponte entre o real e o fictício está aumentando, ficando extensa. Ainda que as ideias conduzam o mundo, creio que as palavras estão em desalinho e as ações descompassadas, apesar de Lacan afirmar que a lei do homem é a lei da linguagem.

Epícteto, na Roma antiga, dizia: “O que perturba os homens não são as coisas, e sim as opiniões que eles têm em relação às coisas”. Há pessoas que veem as coisas como elas são e perguntam a si mesmas “por quê”? Outras sonham com as coisas como jamais foram. Entretanto, é importante ressaltar que estamos construindo um abismo entre estes dois temas, causando-nos uma falsa certeza, estando quase fora do nosso alcance, pois não podemos ficar nas janelas da vida esperando aquela chuva, aquele vento, aquele sol.

Por fim, você não pode impedir que os pássaros das preocupações voem ao redor de sua cabeça, mas pode impedir que façam ninhos sobre ela. (provérbio chinês).


Comentários

  • Albino Perleberg - 21/01/2013

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