Editorial

Olhar cada vez mais atento ao autismo

02 de Dezembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Conforme o tempo passa, torna-se mais presente no cotidiano a discussão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ferramentas que a sociedade tem - ou precisa ter - para lidar com tal particularidade de forma acolhedora e, sobretudo, inclusiva.

Caracterizado por uma série de condições que influenciam no comportamento social, linguagem e comunicação, o autismo foi durante muito tempo visto como uma condição que de alguma forma exigia a segregação das pessoas que o desenvolviam. Sobretudo em casos nos quais os indivíduos com TEA apresentam quadros mais severos, como ansiedade, déficit de atenção ou hiperatividade, por exemplo. Pela falta de circulação de informações sobre o assunto, familiares de autistas acabavam também se sentindo isolados e sem saber exatamente como lidar com a situação e, principalmente, garantir aos filhos ou parentes próximos inseridos neste espectro qualidade de vida, aprendizado, interação social e tantos outras necessidades para o desenvolvimento humano saudável.

E é neste sentido que Pelotas tem todas as razões para se orgulhar do trabalho realizado na cidade através do Centro de Atendimento ao Autista Dr. Danilo Rolim de Moura. Inaugurado em abril de 2014, em pouquíssimo tempo o local transformou-se em um farol para centenas de famílias que passaram a receber atendimento multidisciplinar fundamental para que, de fato, pessoas com TEA passassem a ser vistas como plenamente capazes de se desenvolver e sentirem-se inseridas na comunidade. Sucesso tamanho que, menos de oito anos depois, o que já havia superado a barreira local e chamado a atenção de pais e mães de autistas de diversas partes do país consolidou-se como uma referência para políticas estaduais voltadas ao tema e, na terça-feira, o espaço tornou-se oficialmente um dos centros macrorregionais estabelecidos pelo governo do Estado dentro do programa TEAcolhe.

A partir de agora, o trabalho do Centro Dr. Danilo Rolim de Moura serve não só como atendimento, mas como disseminador de uma experiência positiva capaz de impactar 27 cidades da Metade Sul do Estado. Um exemplo construído por muitas mãos que se trabalharam e trabalham diariamente nos atendimentos. Mas, fundamentalmente, a partir da luta de muitas mães que jamais desistiram de garantir aos seus filhos com autismo o direito inalienável não só a educação e saúde, mas a serem vistos e percebidos como cidadãos que são. É uma vitória destas pessoas que hoje a sociedade tenha mais informação, mais consciência e seja mais acolhedora. Ainda longe do ideal, mas com exemplos como o de Pelotas sendo boas referências.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados