Opinião

O som da Terra

21 de Maio de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Luciana Konradt
Jornalista e advogada

Nos últimos dias, ouvimos o “som do céu”. Aprendemos, com preocupação, rajadas de vento, temperaturas extremas e ondas gigantes, o significado da palavra tupi-guarani Yakecan, usada pela Marinha para denominar a tempestade subtropical que atingiu o Estado.

Em 2021, inundações assolaram a China e a Europa. Enchentes inimagináveis alagaram Nova York. Imagens de prédios tomados pela água, no coração da metrópole, correram o mundo. Ao mesmo tempo, florestas incendiaram e ondas de calor afetaram milhões de pessoas. No Brasil, chuvas causaram destruição e morte na Bahia. No começo do ano, deslizamentos de terra na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, mataram mais de 200 pessoas.

Para especialistas, 2021 deu início a era dos “eventos climáticos extremos”. Desde então, a expressão passou a ser ouvida com assustadora frequência. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontou como “irreversíveis” algumas das consequências do aquecimento global. O documento destacou, ainda, que mais de 40% da população mundial é “altamente vulnerável” às condições do clima. Entre outros alertas, avisou que lugares inteiros “onde pessoas vivem e trabalham” poderão ser varridos do mapa.

Há muito, a despeito de negacionistas, a questão climática deixou de ser especulação do mundo científico. Agora, cada vez mais, extrapola documentos e conferências, para apresentar-se à nossa porta, como fenômeno dolorosamente real e corriqueiro. Como circunstância a exigir atitude imediata de governos e sociedades na tentativa de minimizar seus efeitos dramáticos. É nosso dever, como espécie culpada pela interferência desordenada no planeta, ouvir, com urgência, o som da Terra. O seu grito por socorro. A Ybi.Ybi, dos tupis-guaranis, protesta e chora, em todos os cantos, por nossa compaixão. Que Tupã nos ilumine e proteja!

 


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