Editorial

O risco do afastamento

12 de Outubro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

É comum que se ouça de pessoas que estão afastadas dos estudos - seja por terem encerrado um ciclo e não ido adiante ou por outros fatores pessoais - que o retorno à rotina de aulas é bastante penoso. Muitos, inclusive, sequer tentam, tamanha a resistência e desestímulo a uma retomada. Pois se entre adultos, plenamente cientes do quanto a educação poderia e pode fazer diferença em suas vidas, o recomeço é difícil, quando a parada se dá entre crianças e jovens o motivo de preocupação é ainda maior. E deve ser assunto de toda a sociedade.

Como mostra reportagem na edição de hoje do DP, desde o ano passado pelo menos 417 estudantes de Pelotas perderam a conexão com as escolas em que estavam matriculados até o começo da pandemia. Ou seja, são alunos afastados das aulas a partir da necessária interrupção das atividades presenciais como precaução contra a Covid-19 e que não continuaram participando da rotina de ensino e aprendizagem adaptada a métodos online e, mais recentemente, em formato híbrido entre virtual e presencial. O número, no entanto, tende a ser maior, visto que os dados retratam a realidade somente de metade dos educandários da cidade que participaram, pelo menos por enquanto, do levantamento da prefeitura.

Considere o leitor um número baixo ou alto, fato é que continua sendo alarmante que exista essa tendência de distanciamento por parte de uma parcela dos estudantes com relação às escolas. Especialmente porque se dá em função de fatores como as condições tecnológicas precárias que dificultam o acesso à internet. Se para quem tem bom computador, tablet ou celular já é tarefa difícil sentir-se estimulado por aulas online, mais desafiador ainda se torna para quem não possui um bom smartphone e a conexão, quando existe, é lenta.

Conforme a Secretaria Municipal de Educação e Desporto, há esforço de busca ativa por estes jovens que se desvincularam das escolas para que possam ser atraídos novamente a continuar os estudos. O que é fundamental do ponto de vista social, mas fundamentalmente sob o aspecto que isso tem para a vida dos indivíduos. Certamente cada aluno destes que se desconectou da escola teve ou ainda tem planos para seu futuro. Sejam eles maior ou menor grau de ambição, todos dependem da educação, da presença da escola no desenvolvimento pessoal.

A permanência na escola é essencial. Seja ela online, híbrida ou presencial (com segurança sanitária, claro). Todo aluno é imprescindível.


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