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O que você vem descobrindo de si?

03 de Dezembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Arlete Salante, psicóloga

Esta talvez não seja uma pergunta que estamos educados a nos fazer. O hábito de olhar mais para os outros do que para si mesmo é um falso controle da situação. Reclamar e buscar culpados para aquelas situações que não estão bem é uma forma de não responsabilização da própria capacidade de enfrentar os problemas. Viver no momento presente requer um olho dentro de si e outro fora para responder ao que a vida nos pede.

Na medida em que não fomos educados a nos olhar, a não ter um tipo de racionalidade que coloca objetividade sobre a subjetividade, há uma desconexão com o mundo interno. Assim, crescemos respondendo aos estereótipos, olhando para fora e para os outros. Quanto maior a frustração, menor foi o contato real com o mundo da vida e menor a responsabilização como pessoa (lat. per se esse = ser por si e ser para si).

Na superficialidade somos neuróticos desconectados, passivos alarmados, encobrindo a força e o propósito da alma, distantes da própria realidade existencial.

Enquanto que responsabilizar-se é dar resposta aos propósitos da existência, permanecer mergulhados no medo é abandonar a vida. Apenas suportar os dias e esperar que as coisas melhorem fora, resulta em acréscimo de negatividade e, inviabiliza ações assertivas.

Talvez, coletivamente, tenhamos acordado para o fato que é importante viver, preservar a própria vida e a vida dos outros. Mas não nos basta apenas viver; é preciso vivermos bem. Para isso que serve a contínua descoberta de si. Descobrir significa: remover, tirar o que cobre.

Mas o que cobre um indivíduo? Geralmente são mecanismos inconscientes, formados no início da infância que distorcem a realidade da vida, ou, ainda, influências de pessoas próximas com poder de dominação com invasão psíquica.

A crise atual abre muitas questões insatisfatórias, não resolvidas ou precariamente arranjadas. No entanto, cada crise tem também o seu valor, porque o comodismo, o conformismo, a passividade enfraquecem o olhar claro sobre como resolver as pequenas e grandes insatisfações que se acumulam.

Diante da crise externa, a desconexão aparece e, como se inteligência não estivesse presente em cada um de nós, aparecem os sintomas de medo, angústia, ansiedade, autodestruição, violência e outros modos contrários à vida.

Se olhar honestamente para si, quais áreas da sua vida não te trazem mais satisfação? O que precisa descobrir em si? O que precisa fazer para viver melhor? Quais os caminhos para alcançar ou colocar em prática o que descobriu?

Se compreendeu a mensagem, coloque em prática listando as suas descobertas e agindo de forma coerente e responsável. Vida é ação!


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