Editorial

O que fica no meio do caminho

26 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Da pós-colheita ao varejo, 20% da quantidade total de alimentos são perdidos atualmente nos países da América Latina e do Caribe. O desperdício consta no relatório Estado Mundial da Alimentação e da Agricultura 2019, publicado este mês pela Organização das Nações Unidos para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo o relatório, em todos os continentes as causas de perda e desperdício se diferenciam amplamente ao longo de toda a cadeia de abastecimento. As principais, nas propriedades rurais, incluem a colheita no momento errado, as más condições climáticas, as práticas incorretas de colheita e de manejo e os desafios na comercialização.

Já durante o transporte, a infraestrutura física e a logística comercial eficiente são consideradas essenciais para evitar a perda, enquanto o processamento e a embalagem desempenham papel importante na preservação.

Quando essa mesma perda, da América Latina e do Caribe, é considerada em termos de calorias, os países deixam de aproveitar 14% do que produzem.

O tema não passa despercebido dos governos, que já adotam ações para tentar reverter ou reduzir esse quadro. Há dois anos o Chile criou o Comitê Nacional de Prevenção e Redução de Perdas e Desperdícios de Alimentos, enquanto no Brasil, a rede nacional de bancos de alimentos (Mesa Brasil Sesc) entregou em 2017 gêneros a mais de 1,4 milhão de pessoas por meio de parcerias público-privadas. Mais de 500 municípios foram contemplados, com alimentos que teriam como destino o lixo. Já na Argentina, o Programa Nacional para a Redução de Perdas e Desperdícios de Alimentos funciona desde 2015. De lá até aqui, mais de 80 instituições públicas e privadas se uniram em torno da causa.


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