Editorial

O que aprender com Milão

30 de Março de 2020 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Em 27 de fevereiro, um vídeo viralizou na Itália, com a campanha Milão não para. Evocava a continuidade das atividades econômicas da cidade no início da pandemia do novo coronavírus naquele país. Cerca de um mês depois, o prefeito Giuseppe Sala, que admitiu ter apoiado a causa, foi à TV para também reconhecer que errou. Era preciso, naquele momento, ter isolado Milão do convívio social. Como resultado desse erro de um agente público que deve tomar as decisões, a região foi onde mais pessoas morreram em 30 dias, infectadas pela Covid-19.

Os prefeitos do Rio Grande do Sul passaram a ser pressionados nos últimos dias para flexibilizar os decretos que interromperam a vida normal das cidades. Os empresários, pequenos, médios e grandes, calculam a cada dia parado os impactos que a crise está gerando na administração dos estabelecimentos, das indústrias. Sem demanda, não há caixa para pagar os compromissos. E sem caixa, não há como sustentar obrigações e empregos. Paralelamente, o governo federal lançou uma campanha semelhante à de Milão, com o mote O Brasil não pode parar. O foco é na economia.

Milão se tornou o símbolo de um erro mundial e exemplo a não ser seguido. Ignorou os alertas e, quando entrou no mesmo trilho usado pelo resto do planeta, deixou para trás milhares de mortos. E será difícil que essa mesma história se repita, porque o cenário hoje é outro, muito diferente daquele em 27 de fevereiro. A grande maioria está alerta e ciente das medidas de segurança que precisam ser adotadas. E essa é justamente a dúvida que paira hoje na cabeça dos governantes: frente a isso, já é possível afrouxar a quarentena? A ciência pede que não, a economia clama pelo sim, os trabalhadores (temerosos por seus empregos) estão divididos e a população ainda se mostra assustada. A “bomba” está nas mãos dos prefeitos. A de Giuseppe Sala, governante de Milão, explodiu.


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