Artigo

O primeiro trimestre mais triste da história do Brasil

08 de Abril de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Lênin Landgraf, mestrando em História (PPGH/UFPel)
leninplandgraf@hotmail.com

O ano de 2021 começou com ares de esperança para todo o mundo e, também, para nós, brasileiros e brasileiras. As vacinas que previnem a Covid-19 estavam sendo aprovadas em diversos países, inclusive com a aplicação em países mais bem organizados que o nosso. No início de fevereiro publiquei aqui no DP um artigo intitulado "Há Esperança!", onde incentivava o otimismo em relação a vacina e ao arrefecimento da pandemia no mundo. O tempo passou e com ele a esperança tornou-se desespero com grandes pitadas de tristeza.

Enquanto o presidente da República tirava férias, sem a utilização de máscara, provocando grandes aglomerações e gastando mais de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais!) dos cofres públicos, o vírus se alastrava, a crise da falta de oxigênio começava e a economia, que pensava em recuperação, viu-se mais uma vez encurralada.

O Brasil tornou-se o epicentro mundial da pandemia, tendo inclusive novas variantes do vírus. As reuniões de final de ano e, principalmente, as festas clandestinas durante o carnaval, impulsionaram o caos que estamos presenciando. Hospitais lotados, filas gigantescas para vagas em UTI's, falta de oxigênio. Falta de esperança. Nesse meio tempo, nenhuma atitude firme surgiu do Planalto, mesmo com a substituição do ministro da Saúde, a situação parece não mudar drasticamente como deveria. O combate à pandemia ficou por conta, na maioria dos estados, dos governadores, que publicaram decretos mais rígidos, buscando desesperadamente frear o avanço dos casos.

O remédio vindo dos decretos mais severos, embora extremamente amargo, se faz necessário. Em março, mais de quinhentos empresários e economistas assinaram uma carta em que pediam um amplo lockdown nacional e a aceleração na campanha nacional de vacinação. O que é necessário que se entenda, é que a única solução, até as próximas eleições, para os maus resultados na economia é o fim da pandemia! Enquanto vivermos o caos pandêmico também viveremos a instabilidade econômica. A ampla maioria dos empreendedores, empresários, investidores, comerciantes etc. deveriam seguir os passos apresentados na carta publicada em março e cobrar do governo, além de socorro econômico, soluções para, finalmente, pormos fim à pandemia.

Somente nos últimos 14 dias tivemos quase um milhão de novos casos no país e 37.327 mortes. No Rio Grande do Sul a situação não é diferente, registrando, também nos últimos 14 dias, 67.916 novos casos e 3.443 mortes. É inadmissível que estejamos acostumados com essa quantidade absurda de mortes. Não são números, são pessoas! As redes sociais nos últimos dias também refletem essa realidade e a tristeza que muitas pessoas vêm passando. É quase impossível não ter visto sequer uma publicação informando sobre a morte de alguém vítima da Covid-19, ou, pior, ter algum parente que não resistiu a doença.

O primeiro trimestre mais triste da história do Brasil foi marcado pelo desemprego, pelo aumento do custo de vida, pela economia cambaleante e, principalmente, por milhares de mortes. São mais de trezentas mil famílias chorando e enfrentando a tristeza pela perda de seus entes queridos. Que a vacina atinja, finalmente, ampla maioria da população e possamos sair desse pesadelo.

 


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