Editorial

O poder do exemplo

30 de Julho de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Tanto quanto as vitórias, derrotas, mitos construídos ou ídolos com suas decepções e fraquezas, tem chamado atenção na Olimpíada de Tóquio a importância que exemplos têm na formação de cidadãos e, por consequência, da sociedade. As histórias de atletas que disputam a competição hoje são amostras disso.

Ontem, apenas alguns minutos após a inédita medalha de prata na ginástica feminina conquistada por Rebeca Andrade, surgiram nas redes sociais imagens de meninas assistindo pela TV o desempenho da brasileira. Aos 22 anos, negra, de origem humilde, criada pela mãe, a menina que subiu ao pódio felizmente subverteu aquela que, no Brasil, é a triste tendência nestes perfis. E não chegou até ali sem ter se inspirado nas antecessoras. Provavelmente, traçou o caminho para outras que, mais do que nunca, agora sabem onde é possível chegar. Prova disso é que outro vídeo mostra a medalhista, ainda criança, acompanhando de perto e encantada um treino de Daiane dos Santos e Jade Barbosa, suas referências. Assim como a pequena Rebeca de anos atrás, as meninas que pararam tudo para acompanhar a ginasta brilhando em Tóquio ao som de "baile de favela", sob os aplausos do mundo, jamais treinarão como antes.

Da mesma forma, meninas e meninos têm em Maira Aguiar um importante farol. Ao conquistar sua terceira medalha de bronze em tatames olímpicos, a gaúcha que passou por várias cirurgias na carreira - uma delas a poucos meses da competição - deu seu recado: "fazer o nosso melhor vale a pena!".

Como milhares de jovens skatistas, que já admiravam seus ídolos, confirmaram que, acima da competição, vale a pena seguir bons exemplos e apoiar-se mutuamente, como fez a consagrada multicampeã Letícia Buffoni ao estar ao lado e torcendo pela pequena Rayssa Leal, de apenas 13 anos, finalista e ganhadora do bronze.

Em diferentes modalidades, estes representantes do Brasil no Japão mostram o quanto referências são poderosas. Como diz conhecida frase de autoria imprecisa, "palavras convencem, mas o exemplo arrasta". Para nossa felicidade, Rebeca, Maira, Letícia, Rayssa e outros estão mais do que disputando uma Olimpíada, estão fazendo sua parte para transformar vidas pelo exemplo.

A torcida é para que também possamos encontrar pessoas inspiradoras - e sermos inspiradores - fora do esporte. Os brasileiros precisam de estímulo para, mesmo na competição, acreditar que a sociedade pode ser melhor. Que bons exemplos nos arrastem.


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