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O papel de cada um

01 de Junho de 2020 - 08h06 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Ezequiel Megiato - coordenador do Escritório de Desenvolvimento Regional - EDR

Que vivemos uma crise não é surpresa para ninguém. Igualmente, não é surpresa que antes dessa crise estávamos com o freio de mão puxado no setor público, na esfera federal, estadual e municipal, e não sem causa, uma vez que a crise veio pelo excesso de gastos públicos.

Pois bem, enquanto discutimos a saída da atual crise, é claro perceber que não há um consenso de como isso se dará, se com mais ou menos Estado. Uma crise é sempre uma oportunidade para inovar, propor novos caminhos, etc, mas, é sempre bom lembrar, também é um espaço para políticas oportunistas, míopes e de curto prazo.

Certamente, mesmo o político mais liberal concorda que há uma função definida ao Estado em momentos como este. Essa função, obviamente, pode ser dar de várias formas para além de uma intervenção pura, definida pelo que alguns chamam de impressão de dinheiro. Quero me ater a esse ponto. Será que o caminho para a saída da crise passa pelo afrouxamento sem lastro das políticas monetária e fiscal? Sinceramente, creio que não. Há um custo muito grande para a economia como um todo que advém da perda da confiança dos agentes econômicos no condutor da política econômica quando estes falham ou demonstram instabilidade. Se há um marco de responsabilidade fiscal e monetária, este deve ser mantido.

Veja que o papel do Estado foi completamente distorcido na história brasileira, acostumando mal, inclusive, aqueles que deveriam ser os nossos mais ávidos capitalistas. Já no passado, quando do processo de substituição de importações para fomentar uma indústria nascente nacional, foi o Estado o empreendedor precursor e isso se manteve até os últimos anos, mesmo nos governos de esquerda, quando empresários receberam bilhões de incentivos estatais para que produzissem sem risco algum. Cessaram-se os créditos subsidiados, os benefícios fiscais, etc, cessaram-se também muitos dos investimentos privados. Os custos ficaram para o Estado, geraram uma crise extremamente grave cujos sintomas ainda são sentidos.

Sem capacidade de gastar, sobra ao Estado um papel fundamental e que só ele pode fazer, que é o de propiciar um ambiente estável, harmônico, com segurança política, econômica e jurídica que sim, é extremamente necessário para que o investimento privado aconteça. Dessa forma, é muito importante que neste momento haja uma convergência em função do que se quer com relação ao futuro, mesmo com relação à iniciativa privada, que deve colaborar, seja no entendimento de que os recursos públicos são escassos ou na busca de construção de pautas objetivas que sejam demandadas ao setor público. Mesmo com relação aos recursos públicos concedidos em subsídios ou outras políticas públicas é necessário que se façam avaliações a fim de mensurar a efetividade dessas políticas. Não é hora de divisão e muitas discussões, é hora de entendimento e ação.


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