Artigo

O pão como símbolo sagrado II

A palavra "pão" aparece 390 vezes na Bíblia; Jesus o anuncia como finalidade imediata para saciar a fome da multidão, trata-se de uma fome biológica

22 de Maio de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Adelmo Cechin, colaborador

O pão acompanha a história alimentar da humanidade, daí seu valor não só alimentar de saciedade biológica, mas por natureza e respeito é elevado a símbolo cúltico sagrado. A palavra "pão" aparece 390 vezes na Bíblia, a partir de "Melquisedec, sacerdote de Deus, trouxe pão e vinho, abençoou Abraão" (Gn 14,18). A Páscoa Judaica que significa "passagem": "Comerão a carne assada ao fogo, com pães sem fermento e ervas amargas... comereis com os cintos na cintura, os pés calçados; e comereis às pressas, pois é a Páscoa do Senhor. Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar como instituição perpétua" (Êx 12,8-11). Em Deuteronômio (16) lembra: durante sete dias comerás com ela Ázimos - pão da miséria ou da aflição? pois saíste da terra do Egito, às pressas, para que te lembres todos os dias da tua vida no país da escravidão. Os israelitas murmuravam contra Deus dizendo que preferiam ter permanecido escravos do que passar fome no deserto em liberdade. Deus manda o "Maná" e Moisés diz aos israelitas: "Esse é o pão que o Senhor vos dá como alimento" (Dt 16,12-16).

O próprio Deus provocou essa "fome" para mostrar que o homem não vive apenas de pão, mas de tudo aquilo que procede da boca de Deus (Dt 8,3). Já no NT o diabo desafia Jesus com a Tentação da Abundância: "Se tu és filho de Deus, manda que essas pedras se tornem pães". Jesus responde: "A Escritura diz: 'Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'" (Mt 4,4). Com isso Jesus queria dizer que a vontade do povo está muito aquém da justiça que Deus quer. O pão é apenas o primeiro passo para a subsistência do corpo. Não basta saciar a fome de pão. É preciso saciar todas as outras fomes, sem enganar aquela fome radical de absoluto, que mantém o homem sempre aberto para horizontes ilimitados de vida e liberdade. Fomes essas representadas no mínimo de vida plena em saúde, educação, lazer, integração social, participação política, direitos humanos e vida digna. Enfim, uma vida plena: física, mental, social e espiritual (OMS).

Na multiplicação dos pães, Jesus anuncia e prefigura o sacramento da Eucaristia (fração do pão), a qual tem como finalidade imediata saciar a fome da multidão faminta. Não se trata de uma fome espiritual, mas de uma fome biológica. Portanto, vimos como o pão é o alimento fundamental na vida do homem. No Cenáculo Jesus instituiu a Eucaristia durante a "Ceia do Senhor" (Mt 26,26). Jesus pegou o pão; agradeceu a Deus e partiu o pão e disse: "Este é o meu corpo", indicando que daria o seu corpo em sacrifício para que nós tivéssemos vida (1 Cor 11,24). Depois disse: "Fazei isto em memória de mim". Daí o Sacramento (sinal) realizado na Eucaristia como um "sacrifício". E repete dizendo: "Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue derramado por vós" (Mt 26,28). "É derramado para perdoar os pecados de muitos." Jesus se fez pão e "derramou a sua alma até a morte" (Is 53,12), para que nós homens, de todos os tempos, aprendêssemos a produzir pão o suficiente e reparti-lo entre todos, em especial, entre os mais necessitados.


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