Artigo

O pão como símbolo sagrado I

Aos gregos deve-se a origem das primeiras padarias públicas e eles ensinaram isto aos romanos; com o passar do tempo, o pão foi se tornando indispensável para o ser humano

21 de Maio de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Adelmo Cechin, colaborador

A palavra "pão" é originária do latim pane. O pão é um alimento elaborado com a farinha de trigo ou de outro cereal. Segundo vários historiadores teria surgido paralelamente ao cultivo do trigo por volta de dez a 12 mil anos atrás, na antiga Mesopotâmia. As pessoas utilizavam pedras para moer os grãos dos cereais. Mas, aos egípcios foi atribuída a descoberta do processo fermentativo (7.000 a.C.) e depois a massa era assada entre pedras aquecidas ou sob cinzas quentes. Eles criaram o primeiro forno de barro e começaram a usar vários tipos de cereais para fazer farinha e pães. Os gregos atribuíram a origem do pão aos deuses e deram a ele um caráter sagrado e chamavam os egípcios de arthophagoi que significa comedores de pão. Também aos gregos deve-se a origem das primeiras padarias públicas e eles ensinaram isto aos romanos. A grande expansão do pão em Roma causou o nascimento da primeira associação de panificadores, que se tornou tão importante, que era considerada no mesmo nível das outras artes: escultura, arquitetura e literatura. E na política, as classes dominantes usariam o pão para satisfazer o povo e fazê-lo esquecer os problemas econômicos oriundos da expansão do império. É célebre a expressão "pão e circo". A partir de Roma se difundiu para toda a Europa, via Império Romano.

O pão foi usado não só como alimento. No Egito pagava salários aos camponeses que ganhavam três pães e dois cântaros de cerveja por dia de trabalho, isto consta em pinturas sobre túmulos dos reis que viveram 2.500 a.C.. Na idade média, com o término das padarias públicas, o pão voltou a ser caseiro. Por volta do século XII, na França, a panificação voltava a ser como antes. Na idade moderna (século 17), a França tornou-se destaque mundial na fabricação de pães e uma crise econômica ocasionou falta de grãos e a consequente elevação do preço do pão, ocasionando a Revolução Francesa e a Queda da Bastilha. Conta-se que nas vésperas da Revolução Francesa, Maria Antonieta, rainha da França, foi informada pelos serviçais que o povo passava fome: "Eles não têm pão, alteza". Ela respondeu: "Por que não comem brioches?". Com o passar do tempo, o pão foi se tornando um alimento praticamente indispensável para o ser humano.

Por isso, ele está presente em vários momentos significativos da história, assim como nos costumes de diferentes povos. A industrialização do pão aconteceu a partir das máquinas (século 19), em estabelecimentos públicos, nas padarias, mas o chamado "pão caseiro" perdura até hoje, principalmente nas áreas rurais com estilo de vida agrícola mais primitiva. No Brasil, a fabricação obedecia uma espécie de ritual, com cerimônias, cruzes nas massas, afofar e dourar as crostas. A expansão aconteceu com a imigração italiana. Em 1839 era desconhecido o pão no sertão nordestino. O consumo de pão, segundo a Organização Mundial da Saúde, recomenda que uma pessoa coma 50 quilos de pão ao ano, ou seja, em média 150 gramas/dia. O país que mais come pão é o Marrocos (100 quilos)/ano e quem mais se aproxima do ideal é o Uruguai com 55 quilos/ano.


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