Artigo

O objetivismo de Ayn Rand

01 de Abril de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Sergio Cruz Lima

As questões filosóficas do fascismo e do comunismo, que surgem como novidades ideológicas nos primeiros anos do século 20, impelem vários países ocidentais a discutir a ética da ingerência estatal na vida das pessoas. Ayn Rand, dramaturga, romancista e filósofa, aos 12 anos de idade testemunha da Revolução Russa de 1917, autora de obras como A revolta de Atlas e A virtude do egoísmo, ao observar o crescimento das mencionadas questões filosóficas, prega uma forma de individualismo ético que acolhe a procura do interesse próprio como moralmente adequado. Para a pensadora, a razão é a nascente exclusiva do conhecimento humano. Mais: o homem para ser livre, necessita viver em conformidade com a razão. "Minha filosofia", diz Ayn Rand, "na sua essência, é o conceito de homem como um ser heroico, tendo a felicidade como o propósito moral da sua vida, a conquista produtiva como sua mais nobre atividade e a razão como seu único referencial".

Sua doutrina, o objetivismo, é alicerçada na ideia de que razão e racionalidade são os únicos elementos absolutos da vida do homem. Portanto, qualquer forma de "conhecimento justo", fundamentado na fé e no instinto, é incapaz de oferecer o alicerce correto à existência. "O capitalismo livre é o único sistema de organização social compatível com a natureza racional dos seres humanos, e a ação coletiva do Estado serve tão somente para limitar as capacidades dos indivíduos", escreve Rand. E vai além. "O monopólio do Estado, no emprego puro da força é imoral, uma vez que ele abala o uso prático da razão pelas pessoas." A filosofia e a ficção de Ayn Rand enfatizam, sobretudo, as noções de individualismo, autossustentação e capitalismo, enquanto seus romances pressagiam o individualismo filosófico e a livre iniciativa econômica.

A filósofa condena a tributação e a regulação estatal dos empreendimentos. O individualismo aynista se resume a três assertivas: "O homem deve definir seus valores e decidir suas ações à luz da razão. A pessoa tem o direito de viver por amor a si mesma, sem ser obrigada a se sacrificar pelos outros e sem esperar que os outros se imolem por ela. Ninguém tem o direito de usar força física para tomar dos outros o que lhes é valioso ou de impor suas ideias sobre as outras pessoas".

Desde a sua morte, em 1982, as ideias de Ayn Rand ecoam entre libertários e conservadores que arrostam a redução do tamanho do Estado, ideal defendido pelos tucanos, entre eles, FHC. O objetivismo, enquanto doutrina, é hoje citado como fundamento filosófico da moderna política libertária de direita, conservadora e de corte de impostos.

 


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