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O motim de 1832

22 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Sergio Cruz Lima

Por receber das mãos do imperador Dom Pedro I o decreto da abdicação, o major Miguel de Frias e Vasconcelos ficou eternizado na história do Brasil. Comandante da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, o major fora ao Paço Imperial, no entardecer de 6 de abril de 1831, para comunicar ao imperador o estado de agitação em que se encontravam a população carioca e as tropas. Às duas horas da madrugada, do dia 7 de abril, dom Pedro renuncia ao trono e entrega-lhe a Carta da Abdicação. Na ocasião, com os olhos marejados, diz-lhe: "Aqui está a minha abdicação; desejo que sejam felizes! Retiro-me para a Europa e deixo um país que amei e que ainda amo".

Meses após a renúncia ao trono brasileiro, ocorrida em 7 de abril de 1831, como vimos, o mesmo major Miguel Frias, em 3 de abril de 1832, convoca a população carioca e as guarnições das fortalezas de Villegaignon e Santa Cruz para uma rebelião contra a Regência. Redator do jornal republicano A voz da liberdade, Frias já conspirava com outros militares republicanos para liderar uma revolta na capital do Império após a abdicação de dom Pedro I. Na data anunciada, o major promove a sedição da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, subleva sua guarnição, prende o seu comandante e, junto à Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegaignon, investe contra a Fortaleza de Santa Cruz da Barra. Nela, obtém uma peça de artilharia e, com ela, desembarca na praia de Botafogo. Daí, junto com populares, Frias marcha para o centro da cidade e alcança o campo de Santana com a intenção de derrubar a Regência e restaurar dom Pedro I, ou, como dizem alguns, implantar a República.

Os revoltosos, porém, são surpreendidos pela ação do major Luís Alves de Lima e Silva, então com 29 anos, comandante de uma força do Corpo da Guarda Municipal Permanente. O militar ordena uma salva de tiros contra os civis e militares envolvidos na rebelião. O confronto resulta em 36 feridos, 86 prisões e um morto, o coronel José Maria Peixoto, do lado legalista. Sentindo frustrada a sua tentativa de derrubar a Regência, e perdidas as esperanças, o major Frias larga rédeas ao cavalo e dispara em fuga. Lima e Silva, que o vê fugir, corre sobre ele a galope. Um homem dentre os revoltosos, um carpinteiro, dispara sua pistola contra o comandante. Para evitar o tiro, Lima e Silva se joga para um lado violentamente. Desequilibrado em função do peso de seu condutor, o cavalo tropeça e cai. Sem ferimentos, o major monta e a corrida tresloucada prossegue. Momentos depois, o futuro duque de Caxias defronta-se com o fugitivo albergado na residência do deputado Nabuco. Curiosamente, Lima e Silva deixa-o fugir de navio para os Estados Unidos.

Miguel de Frias e Vasconcelos retorna ao Brasil dois anos depois, desempenhando importantes funções públicas após a reconciliação com Caxias e prestando relevantes serviços ao país.


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