Artigo

O modelo israelense

22 de Fevereiro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Cezar Roedel - Conjuntura Internacional

Enquanto muitos países ainda estão iniciando e ajustando os seus planos de imunização para o Covid-19, Israel já pode ser um exemplo mundial no enfrentamento ao vírus, com ações concretas e pragmáticas tendo como fundo a tecnologia como grande aliada. O país de 9,3 milhões de habitantes possui, praticamente, mais doses do que realmente necessita. Alguns poderiam perguntar: mas em um país relativamente pequeno, tudo é mais fácil? Na verdade, a resposta não está vinculada diretamente ao tamanho de Israel, se não, nas ações que vem tomando desde o ano passado, como a capacidade de antevisão, o pragmatismo, a transparência e a tecnologia. 

Antevisão

O Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não adotou postura de aguardar o desenrolar da conjuntura, com o avanço do vírus. Ainda em novembro de 2020, começou a entrar em contato com os grandes laboratórios, a fim de negociar as vacinas. A postura aberta às negociações e o pragmatismo foram essenciais no processo. A transparência também tomou destaque. Ao contrário de alguns países europeus, Israel manteve aberto o contrato com a Pfizer, disponível na internet, assumindo para si, a responsabilidade pela vacina, algo que passou longe nas negociações com os países europeus. Israel também combinou com o laboratório, o envio semanal dos dados da vacinação, de forma anônima. Em contrapartida, exigiu da Pfizer o envio de doses até a imunização de 95% de sua população. 

Tecnologia

A tecnologia e a Inteligência Artificial têm sido ingredientes importantes na campanha de vacinação no país. De câmeras térmicas até algoritmos ligados a grandes bancos de dados, auxiliam na precisão necessária na campanha. O país consegue controlar a disseminação do vírus por regiões, com a plataforma Neura, que identifica as cadeias de infecção. Pelos algoritmos, o Ministério da Saúde é avisado com antecedência dos riscos de disseminação. Sistemas de reconhecimento facial também auxiliam, nos hospitais, a identificar com quem os profissionais da saúde infectados pelo vírus tiveram contato. Já o robô ElliQ (inteligência artificial) torna o isolamento de idosos algo menos maçante. O robô é programado para manter a atenção de idosos em atividades rotineiras, enquanto as famílias mantêm o distanciamento social. 

Doses e otimismo

Atualmente, é o país com mais doses per capita do mundo. Em sua população, cerca de 4 milhões de israelenses tomaram a primeira dose da vacina, da americana Pfizer, em parceria com a Biontech. Das pessoas com mais de 60 anos, 80% estão imunizadas. Não seria exagero especular que no ritmo célere que o país adotou, até final de março, toda a população esteja imunizada, antes mesmo da Pessach, a Páscoa judaica, dia 27 de março. 

Parceria com o Brasil

O governo brasileiro informou que enviará comitiva para Israel, para conhecer o spray nasal EXO-CD24, desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov de Tel Aviv. O spray passou pela primeira fase de pesquisa, tendo resultado otimista no tratamento de casos graves do Covid-19. O medicamento foi administrado por 30 pacientes, conseguindo todos eles se recuperarem, mesmo nos casos acentuados. Segundo o hospital, o medicamento combate a tempestade de citocinas, que muitos pesquisadores apontaram ser a razão de muitas mortes pelo coronavírus.

 


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