Editorial

O mau exemplo

23 de Janeiro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A manchete do Diário Popular de sexta-feira, de que uma das cidades da região tem pessoas sendo vacinadas contra a Covid-19 além dos grupos prioritários, não deveria ter existido. Não porque nossa equipe de reportagem devesse ignorar o fato. Jamais. Mas esse é o tipo de problema que, embora já tenhamos visto em outras áreas e situações, sempre causa grande decepção em noticiar.

Ao incluir na fila funcionários de farmácias privadas que não fazem testes pelo SUS antes mesmo de enfermeiros, agentes de saúde e outros profissionais da linha de frente na rede pública que aguardavam sua vez, a prefeitura de Piratini deu margem a críticas. Deu razão aos pessimistas que, desde a chegada das doses, "apostavam" em possíveis desvios no processo. Preocupação que gerou, também, alerta da Coordenadoria Regional de Saúde aos gestores.

A justificativa da Secretaria Municipal de Saúde, de falha de interpretação da nota técnica sobre a vacinação, é de difícil compreensão. Sobretudo porque um gestor público tem obrigação de saber interpretar diretriz de tamanha relevância. No entanto, ainda assim, a regra foi reforçada pela coordenadora Caroline Hoffmann: "Os municípios menores, que conseguirem fazer a imunização de todos os seus profissionais da saúde, que são grupos prioritários, das ILPIs, ou que não tiverem ILPIs nem saúde indígena, não abram a vacinação para nenhum outro grupo. Se mantenham nesse primeiro critério, nessa primeira etapa e nesse primeiro grupo prioritário", avisou, em mensagem aos secretários da Zona Sul.

Ou seja, mesmo que todos os funcionários da saúde da rede pública em linha de frente, idosos em asilos, deficientes em residências inclusivas e indígenas sejam vacinados, ainda assim está vedada a destinação a outros grupos, nas palavras da representante estadual na área de Saúde na região.

O episódio, naturalmente, gera repercussão negativa. Entretanto, o pior dano é levantar dúvidas em quem aguarda há meses por vacinas que devolvam a tranquilidade de sair à rua e conviver socialmente. Ao aceitar as doses com aval dos gestores, os favorecidos viraram a notícia que ninguém gostaria de ver na pandemia.


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