Editorial

O lado gaúcho que é uma farsa

05 de Maio de 2014 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -


Os gaúchos identificaram outro Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul que engana seus próprios habitantes. Após a descoberta da adulteração do leite, chegou a vez do vinho. Treze vinícolas são investigadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento por adulterarem produtos com antibióticos. Não é pouca coisa. Não é água ou menos uva. Trata-se de antibiótico.

De acordo com o órgão federal, o fungicida natamicina está sendo usado como conservante. Em reportagem da Agência Brasil, o chefe do Serviço de Inspeção de Alimentos de Origem Vegetal do ministério, José Fernando Werland, disse que a descoberta foi feita em testes realizados por laboratórios credenciados em 2013.

Os consumidores precisam ser informados quais os vinhos, após as análises em 54 empresas (no Rio Grande do Sul existem hoje 680 indústrias). Apareceram alterações produtos da Gilioli, Casa Motter, Indústria e Comércio de Bebidas Del Colono, São Luiz, Vinhos Bampi, VT Vinhos, Cooperativa Vitivinícola, Vinícola Victor Emanuel, Santini, Capelleti, Adega Silvestri, I.A Sandi e Indústria de Comércio de Bebidas CMS.

O caso repercutiu e a Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), no seu papel, condenou a ação dos responsáveis e demonstrou interesse em identificar os envolvidos e as falhas no processo de produção. Também o governo do Estado reagiu e pretende adquirir, nos próximos meses, um equipamento que permite detectar a presença de antibióticos em vinhos.

A natamicina é um produto químico usado para regular a fermentação e eliminar bactérias, mas é proibido no Brasil para essa finalidade, embora alguns países, como a África do Sul, o usem.

No caso envolvendo outro, o leite, no último mês de março foi denunciado, na Justiça de Panambi, um empresário por fraudar 97.130 litros através da adição de água contendo ureia e formol. Na denúncia feita pelo promotor Mauro Rockenbach, nove amostras do leite cru analisadas pelo Laboratório da Univates apontaram a presença do produto químico.

O que mais incomoda a população em situações graves como estas é não saber por quanto tempo a enganação durou. Se foram descobertas agora, quem pode garantir os anos de consumo de produtos que fazem mal à saúde? Quantas doenças podem ter se desenvolvido a partir da ingestação da ureia e da natamicina? E mais: outro escândalo, envolvendo outro produto, pode vir logo a seguir? São dias inseguros na mesa do gaúcho.

 


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