Editorial

O jogo virou

03 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A tradicional quarta-feira de futebol na tevê deve anotar em sua agenda o dia 1º de julho de 2020, data em que a Fla TV (canal oficial do Flamengo no Youtube) bateu recorde de audiência em transmissões pela internet no Brasil, ultrapassando a marca do Grenal da Libertadores, acompanhado via Facebook em março desse ano.

Se para os parâmetros da tevê, a partida entre Flamengo x Boavista - pelo Estadual do Rio ultrapassou os dois 2,2 milhões de espectadores por volta das 22h15min - "não foi nada", para os clubes de futebol que observam com atenção a mudança em curso no formato das transmissões, materializou-se algo que todos ainda tinham alguma dúvida. Melhor do que isso, mostrou-se que é possível sair das amarras impostas por contratos com as emissores e andar com as próprias pernas. Até mesmo as tevês sabem que o modelo é irreversível e não estão fechadas a novas negociações _ e terão, em breve, que ceder, sob pena de ficarem isoladas.

Para poder transmitir a partida por conta própria e lucrar, o Flamengo entrou em guerra com a TV Globo e "inaugurou" a Medida Provisória 984, de 18 de junho, que permite aos clubes mandantes definir os direitos de transmissão dos jogos. A emissora tentou até o último instante barrar a iniciativa na Justiça, mas não conseguiu.

Se essa fórmula foi boa ao rubro-negro? Pelo YouTube, milhares de torcedores fizeram lances de R$ 1,00 a R$ 100,00 para terem suas mensagens destacadas no chat da plataforma. E antes do apito inicial, o clube divulgou ter arrecadado valor que superava os R$ 300 mil, com direito, ainda, a inserções de logomarca de uma cervejaria. Ou seja, mais dinheiro aos cofres.

O futebol brasileiro, desde a última quarta-feira, jamais será o mesmo no formato das transmissões. E caberá agora aos clubes espalhados pelo país escolherem o caminho que desejam seguir: o tradicional ou o novo.


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