Opinião

O impacto de uma gestão emocional fragmentada

29 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Cassiane Rubbo
Psicóloga e gerente de Pessoas do escritório SCA - Scalzilli Althaus

Vivemos em um mundo acelerado, que nos cobra agilidade e desempenho. Ter celeridade é competência que está em evidência e que ocupa, cada vez mais, o mercado corporativo. Pensar demais sem gestão, direcionamento e controle, traz esgotamento emocional enorme, fazendo que o nível de ansiedade dispare e entregas se acumulem. Como resultado deste emaranhado, falhamos! Atrelado à necessidade de alcançarmos resultados, faz-se necessário pensar com criticidade.

Temos que refletir para evoluir. Devemos fazer uma viagem para dentro de nós mesmos e tentar entender nossa psiquê. Somos responsáveis pela nossa saúde mental – e não é só o ambiente de trabalho, ou o outro. Você é o responsável por proteger e gerenciar sua emoção. O líder deve ser autoconsciente, reconhecendo suas emoções e daqueles que estão à volta, sendo habilidade vital para compreensão real da situação.

Não entendemos, na maioria das vezes, o impacto da nossa inteligência emocional, a falta dela no outro e o quanto essa relação afeta diretamente as interações com o time, o clima organizacional e, consequentemente, o negócio. Será que estamos preparados? Ter equilíbrio é um desafio. Precisamos ser emocionalmente inteligentes e reagir de forma adequada ao lidar com equipes. Sentimentos e impulsos atrapalharão as relações e prejudicarão o resultado. Regularmente não percebemos que estamos lidando com profissionais que esperam de nós o reconhecimento, relação de confiança, motivação, inspiração e desenvolvimento. A maneira como lidamos será decisiva no quanto influencia na eficiência, cooperação e produtividade.
Profissional desmotivado, que não veste a camisa, não rende.

Liderança e inteligência emocional estão diretamente ligadas. Muitos líderes tendem a jogar a responsabilidade do que acontece em fatores externos. Porém, é essencial enxergar sua própria responsabilidade no alcance das conquistas e buscar excelência. Assim como falham no quesito resiliência, buscam resultado, metas cumpridas, mas não preparam o time para serem líderes de si mesmos, para deixarem de serem espectadores e se tornarem protagonistas, sentindo-se livres para expressar o seu potencial criativo.

Cultura e trabalho não se constroem sozinhos. Devemos, como líderes, incentivar a produtividade, promover o autocuidado e amenizar o estresse. É preciso ter cuidado ao reforçar uma cultura do esforço, pois trabalhar mais não significa trabalhar melhor. Temos de focar em soluções, resolver problemas e trazer profundidade em tudo o que se faz, com um limite saudável. As pessoas estão buscando, cada vez mais, ter conexões entre trabalho e individualidade, equilibrando com o bem-estar.

A posição de líder é repleta de desafios. Precisamos evoluir e instituir os obstáculos como estímulos a serem superados. Devemos processar experiências, refletir sobre comportamento e postura e criar ambiente receptivo ao crescimento. Fácil? Não, precisamos trabalhar nossas habilidades, mas esse gerenciamento é indispensável.

O resultado está vinculado à coerência de ação, ao propósito e autoconhecimento. Ter discernimento, trazer consciência e compreensão ao que fazemos, contribuir para disseminar a saúde emocional ao nosso redor ou poder asfixiar por sermos o estressor. Isso auxiliará numa atitude colaborativa, influenciando no resultado da equipe e o tornando exemplo. Empatia e aproximação são indispensáveis nas relações humanas para o sucesso de qualquer empresa.


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