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O homem que pode derrotar Trump

15 de Fevereiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Cassio Furtado, professor e jornalista

Nos últimos dias, todos os holofotes da política dos Estados Unidos têm sido direcionados para o senador democrata Bernie Sanders.

E isso ocorre merecidamente, já que Sanders vem liderando as primárias do Partido Democrata, as quais escolherão quem irá ter o direito de enfrentar o magnata Donald Trump nas eleições gerais em novembro.

Na última semana, Sanders venceu as tradicionais prévias de New Hampshire; na semana anterior, ficou praticamente empatado em primeiro lugar com Pete Buttigieg nas prévias de Iowa.

Com o sucesso inicial nas primárias do Partido Democrata, Sanders vem desbancando aquele que, até então, era considerado o grande favorito: Joe Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama por oito anos.

Mais: Sanders passou a ser visto, por muitos, como uma alternativa viável para desbancar Trump da Casa Branca.

Há dois problemas, no entanto, para as esperanças de Sanders.

O primeiro é que a maioria do eleitorado dos EUA é de centro, centro-direita ou direita, conforme recente pesquisa conduzida pelo Instituto Gallup.

Segundo o instituto, 37% dos 29 mil entrevistados se consideram conservadores, 35% se classificariam como moderados e somente 24% liberais.

Até mesmo aqueles que votam no Partido Democrata, segundo a mesma pesquisa, são de maioria centrista/conservadora.

Nesse caso, 36% se consideram moderados, 14% conservadores e 49% liberais. Ou seja, se somados moderados e conservadores, eles chegam a 50% dentro do partido oposicionista.

E esses dados são um grande problema para um candidato, como Sanders, que tem uma plataforma claramente desafiadora do status quo, como impor impostos de até 90% para os mais ricos, permitir o voto dos condenados, legalizar a maconha e abolir o Colégio Eleitoral.

O segundo problema é que Michael Bloomberg está prestes a entrar na disputa pela indicação dos Democratas.

Quem é Bloomberg?

Bloomberg, de 77 anos, fundou a rede de televisão que leva o seu nome e é uma das dez pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna estimada em mais de 60 bilhões de dólares pela revista estadunidense Forbes.

Entre 2002 e 2013, foi prefeito de Nova York e, junto com Rudolph Giuliani, um dos responsáveis por um choque que reduziu dramaticamente a criminalidade na metrópole.

Durante anos, Bloomberg foi filiado ao Partido Republicano. Desde 2018, no entanto, é filiado ao Partido Democrata e quer a indicação do partido para disputar a presidência contra Trump.

Em um contexto em que a maioria do eleitorado é ou centrista ou conservadora, ele parece ser o candidato ideal para roubar votos de Trump, assim como surge como a antítese de Sanders.

Como Trump, Bloomberg é um empresário com foco em resultados, bilionário, e com posições controversas.

Ao contrário do presidente, é moderado em suas falas e polido em suas aparições públicas.

O maior contraste, no entanto, é a defesa dos migrantes, do meio ambiente e do direito ao aborto. Bloomberg também advoga pela imposição de limites à posse de armamentos.

Por tudo isso, Bloomberg é a melhor alternativa dos Democratas para derrotar Trump.

Ele é, praticamente, um Republicano filiado ao Partido Democrata. Possui posições conservadoras e centristas que podem atrair parte do eleitorado que, nos últimos anos, tem se assustado com a retórica agressiva e muitas vezes discriminatória de Trump.

Um empresário de sucesso, Bloomberg tem cacife para atacar as credenciais do presidente como gestor eficiente e negociador implacável.

O ex-prefeito de Nova York, mesmo iniciando atrasado na disputa pela indicação Democrata, parece ser a melhor saída da oposição para retirar Trump da Casa Branca.


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