Editorial

O grito de Rosimeri

19 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Rosimeri Amaral, 34 anos, mãe de Thierre Kainã, 12, menino deficiente, explodiu. Cansada das amarras da burocracia, de ir e voltar dos órgãos públicos sem respostas, de ser tratada como se não existisse e fosse mais uma na multidão, a moradora da praia do Laranjal pegou seu celular e gravou um vídeo. Dois minutos e 43 segundos para o mundo ouvir.

"A cada seis meses é uma dificuldade de conseguir uma receita no bairro onde eu moro." "Por que me fazem de otária?" "O posto do meu bairro não me acolhe." "Eu tô por aqui." "O meu filho tem que ter papelada, papelada e papelada." "Eu sou uma mãe especial, que não deixa faltar nada."

Rosimeri está certa. Ela é especial. Cidadã especial, que, sem saber, deu voz a milhares de pessoas em situação semelhante, cada uma com sua demanda. Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no Brasil, onde a maioria sente diariamente o peso da mão da máquina pública, da qual são dependentes.

Rosimeri, sem perceber, fez a alegria da oposição. Seu vídeo já está guardado a sete chaves para o ano que vem, quando a campanha eleitoral irá às ruas e às redes sociais. Será usado como arma por aqueles que vão apontar o dedo para o governo atual, de Paula Mascarenhas (PSDB), e dizer que, se eleitos, eles sim irão solucionar os problemas da saúde do município. E do transporte, dos serviços urbanos, da educação, da segurança. Muitos vão acreditar, já esquecendo que, no passado, os mesmos estiveram no poder e nada fizeram de muito diferente. O que não imuniza o atual, eleito para administrar a cidade e resolver problemas.

Rosimeri não quer saber de política. Quer soluções, um pouco de paz, dias melhores e tranquilidade, ao menos, para a dura tarefa que carrega de oferecer qualidade de vida a seu filho. Rosimeri gritou e conseguiu, temporariamente, ser ouvida. Até a próxima consulta.


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