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O Exército Brasileiro e seus ilustres generais

07 de Maio de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nery Porto Fabres, professor

Admitir estar diretamente ligado a uma dificuldade interpretativa é uma façanha impossível para os narcisistas, já eu não me incomodo em aceitar as minhas fraquezas no que diz respeito às ações deste governo de generais de calças curtas, de pijamas, de alegorias carnavalescas. Primeiro, por não conseguir interpretar o que o general Eduardo Pazuello fazia num shopping de camiseta florida e um shorts destes de filhinho de papai de nove anos de idade. Eu, no espaço de minha ignorância militar, imaginava que um sujeito general deveria ter uma postura mais condizente com sua posição profissional.

No entanto, admito, sei nada de Exército, de Forças Armadas (assim mesmo com letras iniciais maiúscula por ser nome próprio das armadas que constituem as nossas forças militares). Que saudades do tempo em que o conservadorismo era levado à regra de conservar valores. Hoje em dia não se cai em desgraça se fumar um baseado enquanto se tira guarda, ou se usar as calças com o fundilho caído, coturno sujo. Ou exagerando, se um general andar de chinelo de dedos e calças curtas com camiseta cheia das novidades da modernidade enquanto passeia às 15h num shopping.

Sei, sei haverá leitores que me chamarão de cafona, quadrado (para a nova geração vou traduzir; ultrapassado, antigo). Neste mundo novo que se diz ser administrado por conservador dos costumes, da tradição, da família, etc., há general de calça curta e tudo bem.

Embora eu não tenha capacidade intelectual para entender tanta confusão em nomear conceitos de o que é família tradicional e costume, eu entendo que calças curtas deveria se usar na praia e no quintal somente aos fins de semana e com certa privacidade. Mas, quem sou eu para dar palpites neste andar da carruagem em que há generais de divisão tomando vacinas escondidos, com medo de serem repreendidos por um capitão reformado.

Eu já estou naquele momento de não acreditar que realmente tenhamos uma organização nesta nossa composição militar.

Eu sempre imaginei que o Exército fosse uma instituição cheia de regulamentos, postura reta, homens de condutas ilibadas. Jamais iria acreditar que ouviria um general dizer ter aplicado a vacina escondido atrás da moita.

E aí estamos, à beira de um suicídio coletivo carregados pela seita de um novo Jim Jones. O cara já era piradaço, foi piorando e contaminou toda a cúpula militar e por último quer entrar na mente dos mais sensíveis às profecias patéticas. Enfim, uma loucura total.

Assim andam as coisas pelo Brasil varonil, mais pra lá do que pra cá. Viver este momento é igual caçar marrecos no banhado, pode-se morrer afogado em quaisquer passos rápidos. Ora, sei que não sou somente eu que percebo este cenário conturbado, há outros que pensam em silêncio. E também ficaram boquiabertos com um ministro de calças curtas sem máscara em plena pandemia, o qual dizia não usar por não saber onde comprar, isso num shopping Center, que coisa! Aí mostra o quanto os militares têm conhecimento sobre tudo. Pô! Um general não saber em que local se vende máscaras? Não quero ser chato, mas até uma criança de seis anos sabe.

É... a coisa está complicada, tanto que aquele general, que "tomou" a vacina escondido na moita, deve estar dando explicação até agora para o chefe maior. Eu não entendo mais nada!


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