Artigo

O estudante e o mundo o avaliando

25 de Novembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Nery Porto Fabres - professor

Ontem estava aqui pensando sobre os candidatos às vagas oferecidas pelas universidades, nos cursos de todas as áreas, e calculava, baseado em anos anteriores, as possíveis notas na prova de redação. Porque eles, os candidatos, passam por uma avaliação de escrita e esta etapa é decisiva para saber se irão atingir o escore mínimo para o ingresso nos cursos pleiteados.

E é exatamente neste ponto que foquei meu pensamento. Ora, se os jovens, em maioria, perderam o contato com a leitura e com o diálogo pautado em fundamentação científica sobre os assuntos que lhes caem da cabeça, como irão desenvolver a escrita de forma objetiva, clara, dentro da forma discursiva exigida pelo comando da redação, e como irão trabalhar as ideias sobre os problemas levantados por eles mesmos?

Então, este foi o motivo de minha inquietação sobre os moldes de avaliação dos órgãos governamentais sobre a capacidade dos estudantes em compreender o mundo que estão vivendo.

Digo isso com o intuito de levantar um olhar para os grupos de jovens isolados do mundo real. Muitos nem sabem mais se comunicar com seus pais, tios, avós e com a sociedade que os cercam fora de seus domicílios.

Quanto ao alcance do olhar dos jovens para a sociedade, é evidente que é confuso, particular e egoísta. Cada jovem se imagina protagonista principal da vida da sua família, da sua escola e da sua comunidade. Para esses narcisistas, a sociedade, como a família, deve lhes servir.

E neste contexto social que aqui estamos é fácil se deparar com um jovem na família sem identidade real. Normalmente se vestem como personagens de um filme de ficção, proferem palavras desconexas e sem fim interativo, querem que suas vontades predominem.

Agora, como um sujeito assim irá escrever uma redação perfeita, com ideia central preservada, desenvolvida em parágrafos, defendida na conclusão para ingressar em um curso superior? Essa é a questão levantada pelos estudantes em fase de vestibular.

Percebe-se que eles não querem aprender a se comunicar, não pretendem dominar a comunicação para dialogar com outras pessoas, não buscam interagir com a sociedade. Seus interesses são apenas pautados em decorar as técnicas de redação para ingressar num curso superior, e só!

Se trata disso - os órgãos que organizam os concursos públicos não estão nem aí se o candidato aprovado estará apto para exercer as funções às quais o concurso o habilitou - e, neste sentido, fica óbvio que o concurso não serviu para escolher o melhor candidato.

Mas isso não se trata apenas do Enem por isso eu busco abrir o olhar para todos os concursos públicos. Por se ludibriar as bancas, os certames, o raciocínio lógico e principalmente o bom senso.

Dentro desta linha de pensamento se pode entender que os cursinhos preparatórios criaram técnicas de ensino para aprovação e não para preparar os candidatos a adquirir competências linguísticas, matemáticas, jurídicas, etc.

O mundo transformou-se neste faz de conta insuportável. Há mais reuniões, palestras, festividades sociais em escolas e universidades que ensino-aprendizado. E o motivo de ser assim começa lá na disputa pelas vagas desta clientela.

Portanto, se deve interromper este ciclo de treinar os candidatos para satisfazerem suas vontades de ingressarem do jeito mais fácil, de burlarem o concurso, fazerem atalhos para encurtar o caminho do conhecimento das áreas das ciências humanas e exatas.


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