Artigo

O dilema do quarto ano

19 de Fevereiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Paula Schild Mascarenhas, prefeita de Pelotas

É comum ouvir no Brasil a crítica de que os governos guardam toda a sua energia para fazer entregas no último ano e, assim, tirar benefícios eleitorais, já que nosso sistema permite a reeleição. Parece-me uma análise grosseira, apressada e injusta. Os governantes são eleitos por quatro anos: chegam muitas vezes sem ter todo o conhecimento dos detalhes administrativos, nem sempre explicitados nas transições, precisam nos primeiros anos "organizar a casa", fazer projetos, buscar recursos, submeter-se à verdadeira corrida de obstáculos imposta por Brasília para que se tenha acesso a uma fatia do bolo tributário concentrado na União. Necessariamente, depois de tudo isso, ou seja, nos últimos anos de governo, começam as entregas, as obras, a parte mais visível da administração. Para que a regra não fosse essa, seria necessária uma reforma tributária que lançasse efetivamente um novo Pacto Federativo, em que os entes municipais tivessem autonomia efetiva.

Digo isso em nome da justiça com tantos prefeitos e prefeitas, dos mais diversos partidos (basta tornar-se prefeito para que se passe a sentir uma compreensão fraterna para com aqueles que enfrentam os mesmos desafios, independentemente de posições partidárias), que depois de lutarem arduamente, fazem suas entregas à população cheios de entusiasmo e, não raro, são chamados de estelionatários eleitorais.

O desavisado poderá pensar que estou aqui a defender o meu governo. Não é esse o caso, porque em Pelotas não foi assim. Tive o privilégio de suceder a administrações comprometidas com o bem comum, que souberam se organizar e deixar um legado de projetos e obras em andamento. Assim, nosso governo não precisou gastar os primeiros anos nas atividades que descrevi acima. Iniciamos entregando obras, fizemos novos projetos, buscamos novos recursos e seguimos inaugurando escolas, Unidades Básicas de Saúde, pavimentando ruas e avenidas, investindo pesadamente em saneamento básico. Isso, para nos limitarmos aos investimentos em Infraestrutura, os mais facilmente identificáveis, pois na área social temos também um elenco de iniciativas e resultados, que vão da proteção à infância e prevenção à violência aos indicadores históricos de regularização fundiária. Chegamos ao quarto ano de mandato com quase 80% do plano de governo concluído, o que significa dizer que fizemos mais do que o previsto nos três primeiros anos. E não vamos parar. Se alguém quiser nos fazer recuar com críticas falaciosas, perderá seu tempo. Temos inúmeras obras a entregar ainda este ano, que se espalham pelos mais diversos bairros da cidade. Trabalharemos até o último dia de governo com a mesma energia, afinco e espírito público demonstrados desde o primeiro dia.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados