Editorial

O dia que Pelotas rugiu

16 de Maio de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

As imagens de ontem deram o tom da insatisfação de Pelotas com a decisão do governo federal de cortar os recursos das instituições de ensino na cidade, medida que atingiu todo o Brasil. A Pelotas universitária e de educação tecnológica uniu-se, saiu às ruas e, na mesma voz, deixou seu recado. Sem a UFPel e o IFSul somos mais fracos e perdemos uma parte relevante de nossa identidade.

Foram milhares de pessoas nos atos programados aqui. Desde cedo, o clima de insatisfação com o chamado contingenciamento do Ministério da Educação (MEC) foi aumentando, até atingir o ápice no meio da tarde, quando várias categorias, em apoio, se uniram para formar um único grupo, em repúdio às medidas que comprometem o funcionamento dos cursos de graduação, pós-graduação e técnicos.

Pelotas repetiu outras cidades do país, onde o 15 de maio mostrou-se como o primeiro grande movimento contra o Governo Jair Bolsonaro (PSL). Ex-presidentes também experimentaram esse gosto amargo que só a democracia permite: expressar-se contra medidas impopulares.

O presidente da República chegou aos Estados Unidos ontem e, ao comentar as manifestações, conseguiu agravar ainda mais a guerra que trava com o Ensino Superior. Referiu-se a quem protestou como "massa de manobra" e "idiotas úteis".

Enquanto isso, em Brasília, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teve de ir à Câmara dos Deputados dar explicações sobre o bloqueio das verbas. Weintraub foi obrigado a comparecer à comissão geral, pois sua convocação foi aprovada pelos parlamentares - por 307 votos a 82.

No quinto mês desde que assumiu, o Governo Bolsonaro parece ter ignorado a voz das ruas. Em Pelotas elas foram milhares. No Brasil, milhões.


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