Crônica

O dia deles

08 de Agosto de 2020 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Lisiani Rotta

Há quem não curta datas comemorativas, como a de hoje, por considerá-las um apelo consumista. Entendo o ponto de vista de quem defende essa ideia. Poderia ser mesmo, uma pequena armadilha para alavancar o movimento do comércio, o que, considerando o momento, seria mais do que justo e muitíssimo oportuno. No entanto, não é o que diz a pequena história da origem dessa comemoração. Os Estados Unidos comemoraram, pela primeira vez o Dia dos Pais, no dia 19 de junho de 1910, por sugestão da jovem Sonora Dodd, que quis homenagear o seu pai, William Jackson Smart, um veterano da Guerra Civil Americana que, após a morte da esposa, criou sozinho os filhos. O gesto de Sonora inspirou as pessoas da cidade a fazerem o mesmo, se alastrou por outros estados e, posteriormente, foi adotado por vários países ocidentais. É uma homenagem que surgiu de modo espontâneo e que, felizmente, tomou força. Talvez, por ser uma justa e comovente manifestação de um dos sentimentos mais nobres e reveladores da alma humana, a gratidão. Em meio ao bombardeio de informações, superficialidades e incertezas dos dias de hoje, uma data como essa nos convida a refletir com mais profundidade sobre os sentimentos. Isso, por si só, já é maravilhoso. Refletir sobre um sentimento faz com que ele passe a existir também, a nível consciente. Quando reconhecido, um sentimento não pode mais ser ignorado. Criará raízes, assumirá uma profundidade maior, revelará a sua importância. Segundo Sócrates, a vida não examinada não vale à pena ser vivida. Viver sem refletir é sobreviver. É comer sem saborear. Dias atrás, eu li um texto da professora e filósofa Lúcia Helena Galvão que me encantou. Retratou tão bem a paternidade, que descreveu às figuras paternas de maior importância na minha vida, o meu pai e o pai dos meus filhos, apesar do modo totalmente distinto de sentir e agir de cada um deles.

"O sol é paterno - diz o texto. Em sua postura digna de quem sabe qual o seu papel: iluminar, aquecer, dar vida, mas deixar seus filhos livres para que optem pela luz ou pelas sombras, se assim o quiserem ou necessitarem; que vivam como prefiram, mas, se querem estar com ele, a opção pela luz é necessária e indiscutível. Com sua força, grandeza e fidelidade a si mesmo e à sua missão e, ao mesmo tempo, respeito pelo ritmo e distância que cada um necessita, pela luz que cada um pode receber...com a generosidade discreta de quem não espera nada em troca... mas se dá simplesmente por ser o que é, pois se realiza ao fazê-lo, sem expectativas.

Achei tão lindo, que tomo a liberdade de oferecer, como um presente, as lindas palavras da Professora Lucia Helena Galvão, aos pais mais importantes da minha vida e a todos os que, como eles, são o sol de seus filhos, os responsáveis por fazê-los florescer.

Ser pai parece fácil para alguns homens, embora isso não se resuma a uma simples multiplicação. Também não se relaciona a um desempenho perfeito. Talvez, esse talento seja o reflexo da capacidade de amar de cada um. Ser pai é reconhecer em cada filho um ser humano único e amá-lo incondicionalmente. Ser pai é assumir a responsabilidade da edificação moral de uma pessoa, da formação de um cidadão do mundo. Ser pai é tomar para si a missão de criar um filho forte o bastante para ser ele mesmo, corajoso o bastante para lutar pelos próprios sonhos, digno o bastante para inspirar respeito, feliz o bastante para disfrutar a vida com leveza, sensível o bastante para amar tanto quanto é amado. Parabéns aos pais, que são pais por vocação! O dia de hoje é todinho de vocês. Aproveitem! Vocês merecem.

 


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