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O Cristo da discórdia e o feriado de Tiradentes

21 de Abril de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Gustavo Jaccottet, advogado - gustavo@jaccottet.adv.br

Sabe-se lá por que infortúnio da vida cultivamos o hábito de levar adiante discussões improdutivas, aquelas, que no dizer dos sábios de balcão de cafeteria "vai do nada para o lugar nenhum". Eis o caso do Maracanã, erguido como o "maior do mundo" para depois falarmos do Cristo Redentor e outras picuinhas que só Lula e o PT teriam a expertise em trazer ao povo brasileiro um lugar no mapa.

Eis o caso do estádio que agora briga para ter um novo nome, não se sabe se é Mário Filho ou Rei Pelé, o que tanto faz, pois continuará a ser chamado pelo nome da Ararinha. Ângelo Mendes de Morais discursou que o fez para que o escrete se sagrasse campeão do mundo; por outro desvio do incerto, cuja razão não será analisada aqui, o Uruguai venceu de virada e o estádio que ainda não tem um nome definitivo nunca coroou a Seleção com a Taça do Mundo; fiz este arrazoado, pois depois falarei do Cristo Redentor e outras picuinhas regionais que podem ser do interesse coletivo.

Nos anos 90, o Rio de Janeiro candidatou-se às Olimpíadas de 2004. Dentre as "atrações" oferecidas havia o Maracanã e uma campanha saudosista de que o maior do mundo teria, até, uma pista de atletismo. O sabor insosso de receber um "não" do COI fez com que o Rio se concentrasse em criar um elefante branco para receber os jogos pan-americanos e, depois de muito empenho, conseguir com que o Maracanã, o mesmo estádio ainda sem nome, redesenhado para ser uma arena daqueles "padrões FIFA" sediasse a abertura dos Jogos Rio 2016.

Mas eis que o fato estranho que dá título ao artigo surge; junto da contagem de vítimas da Covid-19, o noticiário abriu espaço à cidade de Encantado, onde ergue-se um Cristo Redentor cinco metros mais alto que o seu irmão velho, o do Corcovado, na mesma semana do Feriado de Tiradentes, que não tem nada a ver com o assunto, mas sempre é bom rememorar. Um símbolo religioso, da mesma forma que heróis do quilate de Lula, Tiradentes e Vargas, não deveriam causar desarmonia, mas gostamos de debates fúteis e presaremos pelo cultivo de laranjas, algo que Lula sabe fazer até melhor que Emerson Fittipaldi.

A concorrência que é tida por pachequismo é o fio condutor para "o lugar nenhum", bônus que o Brasil ganhou de Lula, além de centenas de laranjais. Diferenças desportivas destoavam do Fla-Flu para notar que o público, novamente, passou das 130.000 pessoas, diferente dos jogos na Europa, quando "somente" 50.000 almas puderam testemunhar a vitória do Porto sobre o Acadêmicos de Coimbra, só que a manchete omitiria que lá as pessoas não eram espremidas como latas de sardinhas.

Claro que há um saudosismo em lembrar do estádio em que Zico foi rei e Pelé fez o seu milésimo gol. No atual "maior do mundo", à Coreia do Norte, há um espaço lúgubre para celebrar a ditadura, mas estranhamente não há um Cristo Redentor por lá, pois se existisse uma só chance do comunismo de lá ser cristão, não só haveria um mais alto e mais belo, senão traria uma cobertura da mídia, provavelmente na voz de Maria Júlia Coutinho, imputando a Jair Bolsonaro a responsabilidade por não ter definido com algum ministro acerca do uso de dinheiro público no financiamento da futilidade dos recordes de maior do mundo; na manchete seguinte seria dada voz para Lula, o que qual diria que "no tempo dele", não fosse a 13ª Vara Criminal de Curitiba, já havia uma série de contratos, ainda que superfaturados, os quais tinham em vista o interesse do pobre em ir de avião até sabe-se lá onde para conhecer o maior monumento do mundo, que sugiro ser uma estátua de Tiradentes e que receberia Barack Obama, antes mesmo de ser eleito presidente, para acompanhar o corte da fita vermelha e a data, ora, não haveria data melhor do que o feriado de 21 de abril.


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