Editorial

O crime das estradas

26 de Maio de 2020 - 09h07 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Brasil registrou no ano passado 50 roubos de cargas por mês, produtos transportados por rodovias do país. Significa que o crime foi registrado 1,6 vez por dia durante todo o período de 2019. O número surpreendente, por incrível que pareça, mostrou queda em relação a períodos anteriores, quando as ações dos bandidos e das quadrilhas foram mais intensas ainda.

O dado consta no levantamento anual feito pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que revelou, ano passado, um total de 18.382 ocorrências de roubos de cargas, queda de 17% em relação a 2018 (22.183 casos).

Em prejuízos, o setor estima perdas de R$ 1,4 bilhão, valor que poderia ter sido muito maior se as empresas não estivessem investindo em tecnologias e medidas de segurança nas operações, como forma de oferecer uma resposta rápida aos crimes. O setor destaca ainda o trabalho dos órgãos de segurança pública, o que tem ajudado a combater o roubo de cargas.

Vice-presidente para assuntos de segurança da NTC&Logística, Roberto Mira lembra os motivos de ainda serem tão altas as estatísticas. Segundo ele, os ataques ocorrem porque os receptadores seguem impunes por conta de uma legislação ultrapassada. É urgente, defende Mira, dar mais rigor às penalidades para esse delito. “Tanto a pena para a pessoa do receptador como para o seu estabelecimento, que deverá ter a licença de funcionamento cassada”.

O Sul é a segunda região do Brasil mais afetada pelo problema. No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, em 2019, aconteceram 6,52% das ocorrências (1,1 mil). Já o Sudeste lidera o ranking, com 84,26%. Em terceiro vem o Nordeste, com 6,29%; o Centro-Oeste, 1,69%; e o Norte, com 1,24%.

De acordo com o levantamento, gêneros alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, combustíveis, bebidas, artigos farmacêuticos, autopeças, defensivos agrícolas e têxteis e confecções são os produtos mais buscados pelos criminosos.


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