Editorial

O consumidor sempre paga o pato

25 de Abril de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A gasolina é o símbolo de um país que ainda não superou a crise econômica iniciada em 2014 e tenta encontrar saída para tornar o dia a dia do cidadão menos pesado em relação ao custo de vida. Não se trata apenas de encher o tanque do automóvel. Com o valor do combustível em alta, tudo sobe. O efeito cascata é inevitável. As empresas, por exemplo, naturalmente terão de repassar a alguém (você, consumidor) os novos custos, alterados a cada 15, 20 dias, toda vez que o Petrobras atualiza seus preços.

No Rio Grande do Sul, as notícias divulgadas essa semana não poderiam ser piores para os gaúchos. Além da confirmação de outro reajuste da gasolina, que passou a ser comercializada nas refinarias a R$ 1,975 o litro - aumento de 2,046%, o segundo em 18 dias -, o Estado anunciou a entrada em vigor, a partir da próxima quarta-feira, dos novos preços de combustíveis para fins de tributação do ICMS.

No caso da gasolina e do gás de cozinha (GLP-P13), respectivamente, os preços a serem usados para tributação passarão de R$ 4,6022 o litro para R$ 4,6863 (1,83%) e de R$ 5,5141/kg (botijão de 13) para R$ 5,6492 (5,57%).

Em Pelotas, R$ 50,00 praticamente não oferecem ao motorista dez litros no tanque. E num trânsito cada vez mais congestionado, em que os deslocamentos são lentos e a busca por vagas exige paciência e muitas voltas, o hábito de abastecer com mais frequência - e gastar mais - passa a incomodar e a pesar no orçamento.

A política de preços adotada pelo país vem sendo alvo de críticas e cobranças. O que parece simples aos olhos da população, é uma fórmula complexa na mesa de quem tem o poder de definir como e quando devem ser feitas as majorações de preços. Recentemente o governo anunciou, por exemplo, que pretende reduzir pelo metade o valor do gás em até dois anos. Desconsiderou (será?), porém, que até lá os reajustes serão tantos que praticamente não terão efeito.

Por essas e outras, o consumidor anda cansado e já sem paciência de esperar por um milagre que nunca chega.


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