Editorial

O cobertor curto na saúde

10 de Agosto de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A corrida das cidades para preencher uma lacuna - a falta de profissionais da saúde na linha de frente do combate ao novo coronavírus - vem causando outro problema. À medida em que médicos, enfermeiros e técnicos fazem esse caminho, abrem-se brechas nos serviços de saúde, que começaram a ser interrompidos em países das Américas. O alerta vem da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Quem chama a atenção ao problema é a diretora da entidade, Carissa F. Etienne, ao destacar que os atendimentos essenciais às pessoas passaram a ser “severamente interrompidos, ou pior ainda, pararam por completo”. Entre eles, o atendimento à gestação e condições crônicas, como diabetes, e doenças infecciosas como HIV, tuberculose e malária.

Os reflexos da luta contra a pandemia também surgem em outras pontas do sistema de saúde. De acordo com a Opas, mais de 25% dos países já suspenderam campanhas de vacinação de rotina. Medida que, ali na frente, em semanas ou meses, pode resultar em surtos de doenças evitáveis, levando a um recuo de conquistas de décadas.

Por isso, defende a diretora da Opas, crescem em importância decisões de líderes e gestores para inverter esse fenômeno e garantir o fornecimento de modelos essenciais para salvar vidas. Buscar o equilíbrio, porém, é a parte mais difícil para os governos, que lidam com falta de mão de obra especializada e as carências do sistema responsável por amparar a maior parte da população. Homens, mulheres e crianças que não tem outro suporte a não ser os postos de saúde, os prontos-socorros e os hospitais públicos.


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