Editorial

O câncer ligado ao trabalho

07 de Dezembro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Lançado pelo Ministério da Saúde esta semana, como subsídio a especialistas e cidadãos, o Atlas do Câncer Relacionado ao Trabalho foi apresentado durante a 2ª Jornada Nacional de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora, em Brasília. O documento inédito projeta a doença ou evento relacionado à saúde que seria prevenido caso o fator de risco fosse eliminado.

Para se ter uma ideia dos efeitos de tais medidas, calcula-se que ao evitar o contato com poeiras orgânicas, agrotóxicos, metais, solventes, produtos petroquímicos e radiação, é possível a pessoa reduzir em até 37% episódios de alguns cânceres relacionados ao trabalho no país. 

No mapeamento da mortalidade foram identificados 900 agentes com alto potencial cancerígeno mais presentes nos ambientes de atividade profissional e que podem ser evitados, por exemplo, apenas com o uso de materiais e equipamentos.

O estudo lista ainda 18 tipos da doença efetivamente ligados à atividade diária dos trabalhadores, seja pela ocorrência de um longo período de exposição a fatores ou condições de risco do ambiente. Um deles é o mesotelioma, totalmente causado pelo local do serviço, provocado pelo contato direto com o amianto, substância já proibida no Brasil.

Segundo o levantamento, a não exposição aos agentes impactaria na redução de até 37% das mortes por câncer por leucemias; 15% de mortes relacionadas a câncer por tireoide; até 15,6% dos óbitos por câncer de pulmão, brônquios e traqueia, e até 14,25% dos óbitos por linfomas Não-Hodgkin.

Mais do que apenas apontar, o Atlas contribui ao reforçar a importância das medidas preventivas e destacar o papel das políticas públicas focadas na saúde do trabalhador.


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