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O brasileiro, enfim, descobriu as apostas esportivas online

20 de Abril de 2021 - 14h11 0 comentário(s) Corrigir A + A -

sport-4518188_1920(Foto: Pixabay)

Focando apenas em esportes, 2020 foi, em especial, um ano muito diferente dos outros. Pela primeira vez desde tempos de guerra, o futebol e quase todos os outros esportes se viram obrigados a parar. O motivo, claro, nem precisamos dizer: a pandemia.

Não é preciso se alongar sobre o assunto; o que é interessante, porém, é ver os efeitos da correlação direta entre a necessidade de ficar em casa e as novas maneiras de consumir esportes como um todo.

Longe do estádio, perto da tela

A possibilidade de efetivamente ir aos estádios desapareceu para quase todos, mesmo quando, pouco a pouco, os jogos foram voltando. Restava, claro, a televisão, mas nem apenas de transmissão se sustenta a diversão do brasileiro, um povo apaixonado por esportes como poucos outros e que, além de assistir, sempre gostou de participar – seja cantando na arquibancada, seja comentando com amigos.

Foi justamente nesse espaço que começaram a aparecer novas possibilidades – ou melhor, oportunidades já criadas, mas ainda não consolidadas e que esperavam, ao que parecia, uma chance de se provarem.

Foi uma época de estabelecimento concreto da cultura do home office, dos deliveries, da redescoberta do ambiente doméstico como algo além da cozinha e do dormitório de todos os dias. Ao mesmo tempo, foi a época que os torcedores descobriram uma nova forma de interagir com seus esportes preferidos e times do coração: com as apostas online.

Potencial de gigante

Relacionar o crescimento das apostas esportivas exclusivamente com o advento da pandemia (e suas consequências, claro) seria um sofisma perigoso. A verdade é que o Brasil já vinha se interessando pelas apostas esportivas online há algum tempo, simplesmente porque as apostas online, por sua vez, já vinham se interessando no Brasil.

Não poderia ser diferente; em termos de América Latina, o país é um gigante em todos os termos aplicáveis – população, geografia, crescimento (ainda que irregular e instável nos últimos anos) e, claro, paixão pelos esportes, especialmente futebol, o orgulho nacional acima de qualquer outro.

Diversas casas de apostas enxergaram aí um mercado quase perfeito a ser explorado, e não demorou para, especialmente na virada da década 2000 para 2010, diversos nomes começarem a desembarcar por aqui. A época também não é coincidência: foi quando o Brasil, entre outros pontos, desenvolvia sua tecnologia de comunicações e seu acesso à internet, que se popularizava rápido.

De repente, nomes que antes apareciam apenas em países de tradição nas apostas, como Inglaterra e Itália, começaram a estampar camisas de times, fazer comerciais marcantes no intervalo dos jogos e até mesmo inserir sua marca no nome oficial de grandes competições, algo que persiste até hoje.

Nessa leva chegaram grandes nomes das apostas internacionais, como a famosa bet365, casa estabelecida há muitos anos e que sempre foi sinônimo de seriedade – vide sua reputação em termos de segurança e seu número assombroso de clientes. Muita gente passou a se interessar, e não sem razão, em como abrir uma conta na bet365 e, consequentemente, em como funcionavam as apostas esportivas.

Sem poder vibrar pelo time do coração na arquibancada, o brasileiro passou a ter um motivo a mais para torcer, ainda que sem sair de casa: ter apostado em um dos lados.

Desafios a serem superados

Casas de apostas esportivas, cassinos online e afins estão, de fato, estabelecidos de maneira concreta no Brasil, mas ainda não efetivamente regular. Isso acontece porque a lei que rege apostas e jogos de azar, em geral, é antiga demais (1946) e, simplesmente, não havia internet na época para que esta fosse inclusa na regularização.

Como consequência, criou-se uma espécie de limbo jurídico-legal: apostas online não são proibidas (diferente daquelas feitas em espaços físicos no território nacional), mas também não estão regulamentadas. Isso quer dizer, antes de mais nada, que falta respaldo jurídico. Além do mais, representa também uma indústria gigantesca que não está sendo tributada em nenhuma instância nacional.

Claro que a classe política sabe disso, e existem projetos de lei para atualizar a legislação, que data do governo Dutra. O projeto mais avançado é o PLS 186/2014, do deputado Ciro Nogueira (PP-PI). A ideia corre no Senado e na Câmara há alguns anos, mas ainda não encontrou apoio o suficiente para ser efetivada enquanto lei.

Com as novas necessidades fiscais, porém, – e aí, de novo, entra a pandemia – é bem possível que o projeto seja revisitado. Se tem algo que o governo não pode se dar ao luxo de desperdiçar é uma nova fonte de arrecadação de impostos.


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